Indice

[ anterior ][ índice ][ próxima ]

 

Começam a surgir, recorrentemente, evidências interessantes relacionando o surgimento ou o agravamento de patologias do foro respiratório e circulatório com o desempenho de algumas profissões (sinaleiros, polícias de trânsito, técnicos de limpeza urbana, etc.), e com alguns modos de vida (os utilizadores de demorados percursos pendulares).

 Os compostos de azoto

As principais fontes antrópicas de azoto são as actividades que envolvem combustões a elevadas temperaturas. As emissões antrópicas destes compostos são tão ou mais elevadas do que as emissões naturais.

Do conjunto de compostos de azoto existentes, vulgarmente, na atmosfera de espaços urbanizados, destaca-se o NO2 e NO3.

O NO é relativamente inócuo mas, oxida-se facilmente com o ozono presente no ar. A sua eficiência, como redutor dos radicais OH e OR (essenciais para o prosseguimento de inúmeras reacções na atmosfera), aliada a tempos de residência de um a dois dias na atmosfera, justifica a sua importância para a produção do O3 nas latitudes médias. O NO2, é um gás vermelho acastanhado, extremamente irritante para os olhos e para o aparelho respiratório.

A remoção do NO e NO2 da atmosfera pode ser conseguida pela formação de ácido nítrico (HNO3), solúvel na água.

A solubilidade do ácido nítrico na água, por exemplo da chuva, contribui para a sua acidificação. A acidificação da precipitação produz uma série de efeitos prejudiciais, quer aumentando o poder corrosivo em grande número de materiais, quer actuando como agente lacrimejante, quer mesmo surtindo efeitos mutagenéticos.

A principal fonte de compostos de azoto, em áreas urbanizadas, é a emissão dos veículos motorizados. A monitorização destes compostos, efectuada em alguns espaços urbanos, tem evidenciado uma expressiva diminuição da concentração de NO2, desde o centro do eixo viário até aos passeios. Associado a este aumento da concentração de NO2, está o quase total desaparecimento do ozono, utilizado para oxidar o NO. Percebe-se, portanto, que as concentrações de NO2 reproduzam os ritmos de vida urbanos (horas de ponta, dias da semana com maior tráfego, etc.).

A importância dos processos fotoquímicos na oxidação do NO, faz com que as suas concentraçãoes sejam tendencialmente mais elevadas no Verão do que no Inverno.

Concentrações médias diárias de NO2 superiores a 150 µg/m3 são consideradas, pela O.M.S. e pela legislação nacional, gravosas para a saúde. Sobretudo, quando a população exposta a estas concentrações de NO2, têm já algumas fragilidades ao nível respiratório ou alergológico (asma, bronquite, febre dos fenos, etc.).

A curta série de registos de NO e NO2 na A.M.P. (iniciada em Janeiro de 1993), evidencia uma fraca ocorrência de episódios com elevada concentração de NO2 (Fig. 140)55. O número de dias com elevada concentração de NO foi significativo especialmente no Outono e Inverno.

À semelhança do que acontece para os outros poluentes, a localização dos postos de monitorização dos compostos de azoto (Faculdade de Engenharia, Rua Formosa e Campo Alegre), não nos parece ser representativa da qualidade do ar na A.M.P.


55.Ocorreram um ou dois dias: em Março de 1994 e de 1995, em Abril de 1995 e de 1996, em Maio de 1995, em Julho de 1993 e de 1995, em Agosto de 1994, em Setembro de 1993, de 1994 e de 1995, em Outubro de 1993, de 1994 e de 1995, em Novembro de 1993 e de 1994 e em Dezembro de 1995.  [ continuar ]

[ anterior ][ índice ][ próxima ]


[ Homepage ] [ topo ]

Comentários: clias.clc@mail.telepac.pt
Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Última alteração em: 30-09-2000
gn="to8