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A excelente circulação do ar de que este Lugar beneficia, pela sua diferenciação altimétrica, pela proximidade do mar e do rio, não foi suficiente para diluir a importância da presença do Homem na modificação das características físicas e químicas da baixa troposfera (Fig. 96 a 113).

Encontram-se, com frequência, o centro da cidade mais quente do que a sua metade ocidental e estas duas áreas muito mais quentes do que a metade oriental.

A presença do rio sobretudo quando, no início da madrugada, serve de corredor privilegiado para ar bastante arrefecido de E, SE ou NE, associada ao obstáculo orientado grosso modo NNE-SSW, corporizado pelas maiores altitudes nesta área da cidade (Fig. 114), contribuem para a dividir, climatologicamente, em duas partes substantivamente diversas.

Quando a circulação predominante do ar é de SE e a situação sinóptica é anticiclónica (Fig. 97, 103, 104, 105, 106, 107 e 110)38, o centro histórico da cidade, a Boavista e a área industrial de Francos evidenciam a presença de "ilhas de calor" bem marcadas.

  

Quando a circulação predominante do ar é de SE e a situação sinóptica é depressionária39 (Fig. 100, 101, 102 e 113), as diversas "ilhas de calor" associadas ao uso do espaço urbano esbatem-se e diversificam-se, perdendo, na maioria dos casos, intensidade. Os dias 17 e 23 de Janeiro de 1998 (Fig. 97 e 102), são bons exemplos da multiplicidade de formas que o mosaico térmico urbano pode adquirir sob a influência de condições de instabilidade.

Na presença de ar predominantemente de N e sob a acção de perturbações (Fig. 102, 111 e 112), o padrão térmico urbano associado à intensificação da utilização do espaço em áreas urbanas deixa de ser óbvio.

Nos dias, mais raros nesta época do ano, em que o ar sopra predominantemente de W ou de NW ( Fig. 98, 99 e 109), a presença do mar sobrepõe-se claramente aos efeitos da urbanização "varrendo", de W para E, as eventuais anomalias térmicas urbanas. geradas pelas diversas fontes de energia artificiais e pelas excepcionais capacidades de armazenamento de energia dos materiais de construção e do desenho urbano.


38.O dia 4 de Março de 1998 (Fig. 108), constitui uma excepção pois como se observa toda a cidade apresentava anomalias térmicas negativas.  [ continuar ]

39.O número e a variedade de situações depressionárias em que existem registos das medições itinerantes de temperatura são sempre inferiores aos disponíveis para dias com situações anticiclónicas porque a sonda utilizada não permite o registo em presença de qualquer hidrometeoro pelo que ainda que iniciemos o percurso de medição somos forçados a interrompê-lo sempre que ocorra qualquer precipitação, comum em dias sob a influência de centros depresionários ou perturbações. [ continuar ]

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Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Última alteração em: 30-12-2000
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