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H.2. Padrões Térmicos no espaço urbano portuense Embora os reflexos do fenómeno de urbanização na temperatura, especialmente nas mínimas, sejam os mais estudados e comprovados na extensa bibliografia disponível sobre o tema35, as consequências das inúmeras artificialidades típicas de qualquer meio urbano, bem como do excedente energético que lhe está associado, repercutem-se, também, noutros elementos climáticos. Decidimos então, começar por avaliar, para o Porto, a magnitude e a intensidade dos impactes na temperatura provocados por esta artificialização do suporte biogeofísico. Para isso, adoptamos uma estratégia metodológica assente sobretudo em campanhas de medição itinerante de temperatura e humidade relativa. As medições itinerantes com o termohigrómetro digital foram executadas num veículo ligeiro de transporte de passageiros, segundo percursos previamente definidos (Fig. 94) e têm-se revelado, até ao momento, sem dúvida, a melhor fonte de informação sobre os padrões térmicos portuenses. O percurso escolhido (Fig. 95), reflecte um conjunto amplo de nuances, tanto topográficas como de morfologia urbana e funcionalidade. Engloba grande parte das áreas de maior altitude da cidade do Porto, desde a Av. Fernão Magalhães até ao Marquês, assim como áreas menos elevadas, desde o Castelo do Queijo até ao Molhe. Estão incluídas tanto as áreas mais afastadas do mar, como o Freixo e a Circunvalação, entre S. Roque e o bairro de S. João de Deus, como as áreas mais próximas do oceano. São atravessados tanto os bairros de grande compacidade do centro da cidade, como as áreas de blocos residenciais recentes, mais altos e espaçados, ou as áreas de habitação unifamiliar da Av.da Boavista, de Antunes Guimarães e do Lidador, ou ainda áreas de promiscuidade de padrões estéticos e volumetrias da parte leste da cidade, entre as ruas do Heroísmo e de S. Roque da Lameira. Tentámos, na medida do possível, incluir na nossa amostra exemplos de diversas épocas do ano, tendo em atenção o maior número de tipos de situações sinópticas presentes em cada um dos dias escolhido. ver figura A amplitude da distância-tempo entre o início e o fim do percurso impediu-nos de utilizar, directamente, os valores de temperatura registados. O facto de termos decidido não repetir cada um dos percursos em sentido inverso, impossibilitou-nos a utilização da média das temperaturas correspondente, às duas passagens em cada ponto de medição. Decidimos, então, normalizar cada um dos valores absolutos, calculando a sua diferença relativamente a um ponto de referência constante. O ponto de referência a considerar poderia ser um dos pontos de registo incluídos no itinerário designado normalmente por ponto zero ou então, um ponto de registo próximo, mas exterior ao percurso efectuado. Optamos por normalizar os registos obtidos, em relação ao valor do registo contínuo disponível na estação climatológica do Laboratório de Geografia Física localizada no Hospital de S. João (Porto)36. 35..No que se refere a Portugal
apenas foram desenvolvidos trabalhos de investigação, neste domínio, para Lisboa
(ALCOFORADO, 1988) e para Coimbra (GANHO, 1992). 36.Este procedimento metodológico foi possível porque, durante as medições itinerantes, registámos, para cada valor de temperatura a hora, o minuto e o segundo correspondente. [ continuar ] |
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Faculdade
de Letras da Universidade do Porto. Última alteração em: 30-09-2000 |