A ordem de grandeza dos valores de temperatura registados no
final da década de 80 e durante os anos 90, não se destaca apenas no quadro dos últimos
vinte anos, ela é também extraordinária à escala da série centenária (Monteiro, A.,
1997).
Estes sinais de mudança,
traduzidos num aumento da temperatura e/ou no desaparecimento das
estações de transição, confirmaram-se, integralmente, na análise de todos
registos climatológicos que elaborámos.
A comparação das várias Normais
Climatológicas, para além de demonstrar um aumento consecutivo da
temperatura, especialmente das temperaturas mínimas, do primeiro para o último
período, expressou, claramente, sobretudo uma alteração no ritmo climático
inter-estacional (Fig. 94).
Se a este comportamento da
temperatura, associarmos o da precipitação que, como verificámos (Monteiro, A., 1993),
também registou um aumento dos totais mensais médios no último dos períodos,
especialmente nos meses em que esta já ocorria, habitualmente, em maior
quantidade, e uma diminuição nos meses do período mais seco, reforçam-se, sem dúvida,
os argumentos a favor das manifestações de mudança climática,
partilhados, de forma empírica, por muitos portuenses.
Relativamente aos registos de
temperatura da água do mar analisadas, nenhuma das séries evidenciou qualquer
comportamento tendencial nítido (Monteiro, A., 1997). Embora haja, aparentemente, uma
maior dispersão dos valores nos últimos anos, pelo menos em alguns meses, a sua
relevância atenua-se quando observamos a globalidade das séries (Fig. 94). De qualquer
modo, não parece haver qualquer semelhança no ritmo evolutivo das temperaturas em terra
e no mar, pelo que deduzimos que o aumento verificado nas temperaturas em terra se deverá
provavelmente mais a causas de índole local do que a manifestações de mudança
climática à escala regional, zonal ou mesmo global.
Confirmado este diagnóstico de mudança
climática, ficámos alertados para a premência de conhecer melhor, até
para poder controlar, tanto o ritmo e a velocidade, como a direcção em que se
estão a desenrolar os processos de resolução no subsistema climático portuense,
uma vez que não nos podemos esquecer da limitada capacidade de adaptabilidade e
resistência dos seres humanos.
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