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H. AS MODIFICAÇÕES CLIMÁTICAS INDUZIDAS PELA INTENSIFICAÇÃO DA URBANIZAÇÃO ESTUDO DE CASO NA CIDADE DO PORTO A grande aglomeração de pessoas, a profusão de actividades produtivas, a constante necessidade de trocar, o mais eficazmente possível, bens, serviços e informações, faz com que nos meios urbanos ressalte com redobrada importância um segundo fluxo de circulação de energia - artificial - que se associa ao fluxo natural, com origem na radiação solar, tornando a compreensão do subsistema climático urbano consideravelmente mais complexa. O balanço energético, que para o meio urbano pode ser definido por Qs+Qf+Qi = Ql+Qg+Qe30 (Douglas, I., 1983), varia de cidade para cidade, consoante a morfologia da área, a volumetria do espaço construído, a cor e os materiais de construção dos edifícios, o tipo de pavimento das ruas. A dimensão da cidade, em termos de população, o tipo de tecido industrial e a fluidez de circulação do tráfego interferem, também, no resultado final desta equação. Enquanto o Qf é sempre superior na cidade, relativamente à sua periferia, o Qs e o Ql são normalmente mais baixos. O Qs é menor nas áreas urbanizadas porque a quantidade de partículas presentes na baixa troposfera urbana é muito maior, e, portanto, a radiação solar vai sendo absorvida e /ou reflectida, chegando à superfície em menor quantidade. As perdas de calor por evaporação (Ql) são, também, inferiores no meio urbano, pela simples razão de que neste não há tanta água disponível para evaporar. O bom funcionamento do metabolismo urbano não se compadece com a presença da água precipitada muito tempo à superfície, sob pena de provocar congestionamentos na circulação de bens, serviços e informações, de todo indesejáveis. Da importância relativa que o total de energia libertada, tanto pelos seres humanos e outros animais, como pelas actividades económicas (Qf)31, tiver face ao total de energia proveniente da radiação solar (QS) e do interior da terra (Qi), dependerá a ordem de grandeza do excedente energético disponível para ser transportado, por condução e/ou perdido por irradiação. Como não estão facilitadas as perdas por evaporação (Ql), e a capacidade de armazenamento no seio do espaço construído é grande, quer pela densidade de ocupação, quer pelo tipo de materiais, quer pela geometria, parece óbvio que o balanço final entre as perdas e os ganhos, nos meios urbanos, não é nulo. Favorecendo um leque mais diversificado de entradas de energia e bloqueando algumas das possíveis vias de saída da mesma, a cidade cria condições para se tornar, no seu todo, ou em parte, naquilo que vulgarmente se tem designado por "ilha de calor". Vislumbram-se já, com clareza, na região do Porto, os efeitos que uma cidade pode provocar no clima regional e local, assim como, as consequências que a modificação de alguns elementos climáticos acarretam para o funcionamento do metabolismo urbano (Fig. 92). ver figura 30. Sendo Qs- energia radiante recebida do sol, Qf-energia gerada por combustão, metabolismo e energia dissipada nos processos industrias, Qi-calor emitido pelo interior da terra, Ql- perda de calor por evaporação, Qg- perda de calor por condução no solo, nos edifícios e nas ruas, Qe- perda de calor por irradiação. [ continuar ] 31. T.R.OKE, 1990, p. 276, refere alguns valores do Qf /ano para
algumas cidades, dos quais salientamos a título de exemplo: New York (Manhattan) -
40°N- 1967- 117 W/m2; Sheffield - 53°N-1952-19 W/m2; Los Angeles -
34°N-1970- 21 W/m2; Fairbanks, Alasca - 64°N - 1970 - 19 W/m2. |
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Faculdade
de Letras da Universidade do Porto. Última alteração em: 30-09-2000 |