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É bem verdade, que os modelos de desenho urbano em voga no mundo ocidental, nas últimas décadas, contribuiram para nos omitir a importância do ar, da água ou do solo. A relação, estranha e conflituosa, entre as várias componentes do Ecossistema na A.M.P. não é, portanto, uma excepção. Plasma as atitudes e os argumentos de uma postura excessivamente tecnocêntrica de todos os ramos do saber. O ar, quer no que respeita à sua composição química, quer no que toca aos contextos climatológicos gerados, foi-nos ocultado por um quotidiano efectuado, quase sempre, em ambientes interiores artificiais (edifícios, túneis, parqueamentos interiores, percursos rodoviários, etc.). A água, raramente, é sentida ou observada. A da precipitação fica-se pelos telhados, onde é canalizada para o subsolo, por procedimentos de engenharia, cada vez mais, sofisticados e eficazes. A escorrência é evitada e quando ocorre, ainda que em curtos percursos, gera disfunções urbanas onerosas e indesejáveis. Os cursos de água estão, maioritariamente, canalizados e nos breves trechos visíveis, apresentam-se como um elemento desqualificador do espaço, pelo elevado grau de poluição. O solo natural só emerge nos terrenos expectantes ou abandonados. De resto, o asfalto ou o macadame, invadiram todos os hiatos entre os espaços edificados. O seu valor (preço) passou a referenciar-se à localização e não mais às potencialidades de produção de vida. O avanço sucessivo do modus vivendi urbano na A.M.P. acelerou-se, particularmente, a partir da década de 70 (Fig. 5)10, acompanhando, aliás, as tendências nacional e global (Quadro 1). Este avanço de um modo de vida, implicou profundas alterações em todo o equilíbrio pré-existente. A cadeia trófica desorganizou-se, assistindo ao reforço de meios e instrumentos artificiais, potenciadores de privilégios para uma espécie, em detrimento de quase todas as outras. O aumento da população residente na A.M.P. significa impactes de maior intensidade e magnitude do que os gerados exclusivamente pela ocupação de uma porção de terreno para residir. Traduz a disponibilidade de um vasto conjunto de outras funções: comércio, indústria, serviços, lazer e recreio, etc.. Para estabelecer a interligação entre todas estas funções urbanas, torna-se necessário aproximá-las, quer em distância-tempo, quer em distância-custo (Fig. 5).
Quadro 1 - Evolução da população urbana (WRI/UNEP/WB, 1997) 10.Esta figura reproduz um levantamento e digitalização do espaço construido efectuada no âmbito do Projecto Praxis XXI PCSH/GEO/198/96, CLIAS. A digitalização foi efectuada a partir das cartas, à escala 1:50 000, nºs 13-A, 9-A e 9-C, do Instituto Geográfico do Exército, correspondentes aos anos 1911, 1935, 1955 e 1985. [ continuar ] |
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Faculdade
de Letras da Universidade do Porto. Última alteração em: 30-09-2000 |