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O uso e a disponibilização de recursos naturais, dentro de qualquer espaço urbano, é quase sempre alvo de conflitualidade. O grau de desenvolvimento socio-económico, a facilidade de acesso à informação e a variedade de registos memorizados, contribuem para definir, com maior ou menor precisão, cenários de catástrofe ou de equilíbrio e harmonia. Cada grupo de cidadãos, tem um arquivo das experiências vividas/conhecidas e um lote de interesses a curto, médio e longo prazo, que concorre para (des)valorizar de modo muito diverso os outros elementos do Ecossistema. O sucesso de uma qualquer teia territorial urbana não pode, por tudo o que até aqui se expôs, ser o objectivo estratégico de gestão do ambiente urbano. A complexidade e a incerteza intrínsecos a todos as peças deste tipo de puzzles, aconselha vivamente a experimentação do tipo "tentativa e erro", desde que9: i) a experiência não destrua o experimentador; ii) a experiência não provoque impactes irreversíveis; iii) o experimentador esteja receptivo a aprender com os erros. O conhecimento do funcionamento caótico da maioria dos elementos presentes no meio urbano, aconselha formas de planeamento e gestão prolongadas no tempo. A aproximação ao sucesso deve ser uma intenção permanente, durante a monitorização do funcionamento do modelo implementado, mas não pode ser exigida como uma garantia. Apesar da incerteza implícita nos estímulos-respostas em sistemas caóticos, é óbvio, que a qualidade do conhecimento de cada elemento do Ecossistema Urbano, contribui para aprender mais com as experiências de gestão de expectativas de qualidade de vida e de uso equilibrado de recursos naturais. As acções/opções constituem sempre um risco de (in)sucesso, mas a efectiva avaliação do contributo de cada acção, depende do conhecimento de cada subsistema. A Área Metropolitana do Porto (A.M.P.), evidencia vários sinais exteriores de insustentabilidade. Abundam os exemplos de ruptura, quer no tecido social, quer no suporte biogeofísico. A integração das decisões económicas, sociais e ambientais, não tem sido um hábito dos decisores, nem uma exigência da sociedade. A partilha de responsabilidades entre o crescente número de utentes desta extensa área urbanizada, não é respeitada, nem a sua necessidade compreendida pela maioria. Os exemplos de uso eficiente de recursos naturais escasseiam e o (des)ordenamento territorial plasma correctamente a ausência de introversão da ideia de que somos apenas o regaço passageiro do futuro e não os últimos e únicos utilizadores dos bens-natureza disponíveis. 9.Como afirma Bruce Mitchell no seu livro Resource and Environmental Management, Addison Wesley Longman, Edinburgh, 1997, p.134. [ continuar ] |
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Faculdade
de Letras da Universidade do Porto. Última alteração em: 30-09-2000 |