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Todavia, a distribuição destas ocorrências críticas, foi muito irregular, ao longo dos oito anos analisados (1989-96). O período entre Janeiro de 1989 e Dezembro de 1992, acumulou 593 dias com acidez forte/SO2 acima de 100µg/m3 (Fig. 137). O facto de 95.2% destas concentrações de acidez forte/SO2 acima de 100µg/m3, ocorrerem no período em que funcionava a rede mais alargada de monitorização da qualidade do ar (Fig. 135), sublinha a pertinência da manutenção das duas redes, simultaneamente, em funcionamento.

Assim, é impossível esclarecer, se esta, quase absoluta, ausência de dias com acidez forte/SO2 acima de 100µg/m3, após Janeiro de 1993, se justifica pela fraca representatividade das três estações em actualmente em funcionamento (Faculdade de Engenharia, Rua Formosa e Campo Alegre), ou se é explicada pela alteração no equipamento e tipo de medição efectuada51.

Enquanto residente particularmente atenta, por motivos pessoais e profissionais, na A.M.P., sabemos que esta diminuição do número de dias com acidez forte/SO2 acima de 100µg/m3, não se ficou seguramente a dever à implementação de qualquer estratégia de qualificação do ar, nem traduz qualquer alteração profunda no modus vivendi urbano portuense.

Sempre afirmámos (Monteiro, A., 1997), que a acidez forte/SO2 não era um bom indicador da degradação da qualidade do ar na A.M.P.. A sua monitorização, desde 1968, justificava-se por ter tido, na origem, a necessidade da Refinaria da Petrogal (localizada a NW do concelho do Porto), controlar as suas emissões gasosas para a atmosfera.

No entanto, o aumento do número de postos, efectuado pela CGA/DGQA, evidenciou inúmeras ocorrências de concentrações de acidez forte/SO2 acima de 100µg/m3, de 150µg/m3 e mesmo de 200µg/m3 no interior do tecido urbano portuense.

Pareceu-nos, na época, que em situações de estabilidade atmosférica, as plumas emitidas para a atmosfera, atingiam áreas próximas do solo antes de se diluirem e dispersarem, podendo causar concentrações de acidez forte/SO2 elevadas em postos distantes das principais fontes emissoras.

Embora o carvão e a linhite não sejam combustíveis domésticos vulgarmente usados em Portugal, contrariamente ao que sucede, por exemplo na Grã-Bretanha, admitimos, na altura (Monteiro, A., 1997), a possibilidade do tráfego rodoviário, sobretudo os utilizadores de gasóleo, e as emissões de algumas pequenas unidades industriais dispersas pelo centro e leste da cidade do Porto, poderem ser responsáveis por algumas das elevadas concentrações de acidez forte/SO2.

Pese embora a garantia dos responsáveis da DRA-Norte, sobre a melhor qualidade da monitorização da qualidade do ar actualmente efectuada, a coincidência temporal entre a entrada em funcionamento das três estações automáticas (Faculdade de Engenharia, Rua Formosa e Campo Alegre), e a absoluta perda de importância deste poluente na A.M.P., aconselharia vivamente, a manutenção das duas redes em funcionamento simultâneo, durante um intervalo de tempo suficiente, para validar a representatividade dos novos postos e dos novos equipamentos.

Partículas em suspensão (fumos negros)

As partículas em suspensão, constituem uma mistura de substâncias orgânicas e inorgânicas cuja origem é de difícil identificação.

Recentemente, na Europa e nos E.U.A., têm vindo a ser alvo de um protagonismo interessante, no que respeita, à monitorização da qualidade do ar em espaços urbanizados. As partículas de menor diâmetro (PM10 e as PM2.552)não são capturadas na região naso-faríngea e podem, se inaladas, danificar o sistema respiratório e alergológico. Quanto menores forem as suas dimensões mais graves podem ser as sequelas na árvore respiratória.


51.Rever n.p.p. número 5.  [ continuar ]

52.Partículas com um diâmetro inferior a 10 µm e 2.5 µm.  [ continuar ]

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Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Última alteração em: 30-09-2000
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