Antes de prosseguir com a análise
crítica dos registos de acidez forte, SO2, fumos negros, CO, NOx, NO2, O3 e Pb
disponíveis para a A.M.P., convém recordar que a poluição é normalmente avaliada pelo
impacte nos valores sociais e paisagísticos. Apenas os seus efeitos imediatos lhe
conferem importância e significado (Monteiro, A, 1997).
A maior ou menor importância de um
episódio de poluição, está vulgarmente associada à aceitabilidade dos riscos
envolvidos. Os riscos, normalmente considerados importantes, como a morte, as doenças
crónicas e a alteração no crescimento e/ou no comportamento, não traduzem, no entanto,
a gravidade dos efeitos de algumas emissões poluentes cujas consequências, apesar de
não menos graves, são demoradas no tempo (Monteiro, A, 1997).
O contexto social e económico dos
grupos humanos envolvidos altera também, consideravelmente, a noção e aceitabilidade de
um determinado risco, o que contribui para dificultar o diagnóstico, a prevenção e a
definição de medidas mitigadoras para a poluição (Monteiro, A, 1997).
O desconhecimento da natureza e das
propriedades dos compostos químicos considerados poluentes, dificulta a definição das
fontes, impede uma real avaliação dos prejuízos causados nas diversas componentes
ambientais, coarta a eficácia da implementação de qualquer estratégia de Limpeza do
ar, mas, sobretudo, naquilo que mais nos impele, neste trabalho, impossibilita a
clarificação da importância que a modificação da composição química da atmosfera
portuense tem para explicar as manifestações de mudança climática detectadas e para
justificar o agravamento de algumas patologias em cidadãos residentes na A.M.P.
(Monteiro, A, 1997).
A maioria dos compostos químicos a
que associamos, com frequência, a ideia de poluentes, como os de carbono, de azoto, de
enxofre ou de chumbo, existem na natureza de forma não tóxica e não poluente. A
toxicidade surge com o aumento das concentrações e/ou com algumas possíveis
combinações entre eles. Incluem-se no primeiro caso, o cobre, o zinco, o ferro e o
enxofre, necessários para as plantas, mas que, em quantidades excessivas, esterilizam os
solos. Os compostos de carbono e de azoto, bem como as combinações orgânicas do
mercúrio, entre outros, são exemplos de combinações que se podem tornar tóxicas
(Monteiro, A, 1997).
As substâncias poluidoras podem
ser naturais, se sempre existiram no Ecossistema e continuam a existir em maiores ou
menores quantidades, ou sintéticas, se são elementos absolutamente novos, criados pelo
homem, como os pesticídas, o DDT, os plásticos, os detergentes, etc..
Os efeitos no Ecossistema, de
qualquer destes dois tipos de poluentes, podem ser igualmente gravosos, embora as
repercussões dos segundos sejam mais difíceis de diagnosticar.