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B) RESUMO DO PROJECTO B.1. SUMÁRIO
TÉCNICO (português) Por tudo o que se disse, não fica claro que exista um Perfil climatológico e de qualidade do ar indutor de agravamento da asma em crianças dos 0 aos 13 anos. Também não seria de esperar que ele fosse óbvio, ou que sequer exista, uma vez que a gravidade da crise asmática - um síndrome e não uma doença depende, nas crianças, do stress, da atenção, do afecto, do número de horas que permanecem dentro de recintos fechados e, por vezes, do dia da semana ou até da hora do dia. Contudo, parece recorrente que a coincidência na urgência do HSJ, de várias crianças com "crises asmáticas" sucederam em períodos bem delimitados no ano, consoante o grupo etário (Fig. a), e, após uma sequência de dias com estabilidade atmosférica, sem precipitação, com uma velocidade do vento considerável e sobretudo com uma grande variabilidade térmica. Variabilidade que se prolongou durante as 72h que precederam a "crise".
ver figura Ao longo do ano existe uma elevada frequência de ocorrência de casos de "crise asmática" nos meses de Outono e Inverno (Fig. a)i. Este ritmo é particularmente expressivo nas crianças entre os 0 e os 4 anos, precisamente aquelas que permanecem mais tempo dentro de casa, sobretudo nesta época do ano (Fig. b). Todavia, segundo os pediatras e imunoalergologistas, este não será o grupo etário onde os sintomas típicos de uma "crise asmática", podem ser claramente diagnosticados. A árvore respiratória está, nestas idades ainda, em formação e é incorrecto, ou muito difícil, diagnosticar os sintomas como "asma" ou "crise asmática". Só a partir dos 5 anos é que começa já a ser possível associar sintomas como falta de ar, tosse seca, irritabilidade brônquica e obstrução geral das vias respiratórias com a "asma" e, consequentemente, a procurar entender a combinação e o peso relatico de cada um dos hipotéticos factores desencadeantes (ambientais, emocionais e fisiológicos), responsáveis pelo seu aparecimento. ver figura As crianças com mais de 5 anos que recorreram à urgência do HSJ, especialmente, entre Setembro e Dezembro, sucederam-se em algumas sequências bastante curiosasii :
Numa série onde abundam os registos de "0", "1" e "2" crianças internadas com crises asmáticas, é extraordinário encontrar dias em que acorreram à urgência do HSJ, 5, 6, 8 ou 9 casos de crianças com a mesma patologia. Mais excepcional se torna ainda quando estes totais diários se perpetuam elevados em sequências de mais de oito (8) dias. Sabendo que qualquer destas crianças reside, brinca e frequenta a escola, numa área do NW português que tem vindo a observar, nas últimas décadas, um dos mais intensos processos de urbanização (Fig. c, d e e), onde a impermeabilização dos solos conquistou a maioria do território para poder ancorar edifícios e espaços de circulaçãoiii (Fig. f1 a f4), desiquilibrando inequivocamente a relação do Homem com o seu suporte biogeofísico, não é difícil acreditar que possam existir algumas coincidências entre o ritmo metabólico urbano portuense e o ritmo a que o corpo humano especialmente o sistema imunitário e respiratório reage. Apesar da diversidade de factores desencadeantes deste síndrome, é provável que a qualidade do ar ambiente e as características climatológicas vividas no(s) dia(s) anteriores possa ser um dos poucos argumentos capazes de justificar a coincidência de tantas crianças, com agravamento desta patologia, no mesmo momento. ver
figura i. Recorde-se que no Outono/Inverno a asma é desencadeada frequentemente pelo contacto com ácaros domésticos em dias com uma humidade relativa elevada e temperatura baixa. Na Primavera e no Verão, as crises asmáticas estão frequentemente associadas ao contacto com pólens. [ continuar ] ii.Isto porque a extensa lista de cerca de 3000 dias (8 anos), para os quais conhecemos o número de crianças que recorreram à urgência do HSJ e às quais foi diagnosticada "asma", a maioria dos casos correspondem a "0" e "1". [ continuar ] iii.Onde circulam, em grande número vários meios de transporte emissores de partículas e compostos gasosos para baixa atmosfera que a transformam num cocktail gasoso irrespirável. [ continuar ] |
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Faculdade
de Letras da Universidade do Porto. Última alteração em: 30-12-2000 |