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As fracas oscilações no ritmo intra-anual da temperatura, típico das áreas próximas do litoral inseridas na zona temperada, como o Porto, ajuda-nos a compreender a menor oposição Inverno/Verão ao nível da intensidade da "ilha de calor" . O Inverno ameno e o Verão pouco quente, associado à inexistência de tradição do uso de combustíveis fósseis como fonte de aquecimento do interior dos edifícios, durante a época mais fria do ano, contribui para que não haja uma clara diferença entre o padrão térmico urbano portuense de Inverno e de Verão. Para além das características climáticas e do peso da tradição no tipo de energia mais utilizado, não podemos deixar de salientar a importância do baixo nível de "qualidade de vida" característico de um país, que, como Portugal, padece de um grande atraso económico41, para a compreensão desta fraca dicotomia Inverno/Verão que se observa ao nível da intensidade da "ilha de calor" na cidade do Porto. Dependendo a intensidade da "ilha de calor" urbana do peso que o Qf42 tiver no resultado final da equação do balanço energético, é de esperar que os "picos térmicos" sejam tão mais notórios, quanto maior for o grau de crescimento/desenvolvimento económico do país a que essa cidade pertence. Todavia, convém sublinhar que, apesar do Porto não se incluir sequer, no grupo das cidades com maior vitalidade económica ao nível Europeu, constatamos, frequentemente, a existência de "ilhas de calor" nocturnas intensas em qualquer estação do ano. Apesar de ser um factor para o qual não conseguimos obter, do ponto de vista estatístico, relações evidentes com as anomalias térmicas, o tipo de ocupação do solo mostrou ser essencial para a compreensão da forma como se distribuiram, no espaço urbano portuense, as isoanómalas dos vários exemplos seleccionados. O reconhecimento do tipo de ocupação do espaço ajuda-nos, por exemplo, a entender a constante presença do eixo zero , que intercepta a Av. da Boavista próximo do cruzamento com a Av.Antunes Guimarães, e facilita a compreensão de algumas diminuições pontuais da temperatura coincidentes com a proximidade de jardins públicos arborizados. As diferenças altimétricas, a acção da brisa do mar, os efeitos climatológicos da presença próxima do rio Douro, a distribuição desigual, pela cidade, de espaços verdes com características diversas e as diferentes tipologias de ocupação do espaço urbano, contribuem para distorcer a forma da "ilha de calor" na cidade do Porto mas, raramente, a conseguem anular. Consoante o peso relativo que, momentaneamente, as características físico-químicas da massa de ar presente sobre a região, lhes permite ter, assim se vão evidenciando uns factores e anulando outros. A "ilha de calor" distinguiu-se, especialmente, nos dias com grande estabilidade, fraco gradiente barométrico, vento fraco e calmas frequentes. Condições normalmente associadas à presença de situações anticiclónicas, mas que, como vimos, podem surgir sob a influência de situações depressionárias, quando o movimento ascendente do ar está condicionado pela presença, em altitude, de uma "gota fria", ou quando deriva de um forte aquecimento de base. O facto dos registos de temperatura observados dentro dos limites administrativos da cidade do Porto terem sido sempre superiores aos registados, no mesmo momento, na estação de Porto-Serra do Pilar (no exterior da cidade), reforça a relação de causalidade existente entre a magnitude do fenómeno urbano e os excedentes energéticos gerados. 41.Ao progresso, pelo menos no sentido estritamente económico do termo, está, normalmente, associado o uso de uma série diversificada de infraestruturas e equipamentos promotores de conforto, altamente consumidores de energia. Daí que as taxas de consumo tenham servido até há bem pouco tempo, e continuem ainda a servir, como um bom indicador do grau de desenvovimento/crescimento económico. [ continuar ] 42.O Qf representa as outras fontes geradoras de calor de origem antrópica. No meio urbano estas fontes de calor traduzem-se por um conjunto de infraestruturas que visam aumentar o bem-estar e a qualidade de vida dos cidadãos, tais como: máquinas, sistemas de aquecimento/arrefecimento, iluminação, etc. [ continuar ] |
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Faculdade
de Letras da Universidade do Porto. Última alteração em: 30-09-2000 |