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No período em que se espera que a precipitação ocorra com mais frequência e intensidade, habitualmente designado neste subtipo climático como período mais pluvioso, que coincide, sensivelmente, com os meses de Inverno, constata-se que, em alguns anos, não ocorreu sequer precipitação. Conjugando isto com a análise da distribuição de frequências, vemos que entre Outubro e Março a percentagem de ocorrências na classe de totais mensais de precipitação entre 0 e 50mm é muito semelhante à de 51-100mm, 101-150mm, 151-200mm, 201-250mm ou mesmo 251-300mm. Exceptuando os anos em que os totais mensais ultrapassaram 300mm, que, diga-se, têm uma representatividade inferior a 5% do total, todas as outras classes apresentam frequências relativas muito idênticas. Embora, comparativamente com o resto dos meses do ano, o período de Inverno seja aquele em que a classe de totais mensais de precipitação entre 0 e 50 mm tem menor expressão estatística relativa, ainda representa em Novembro e Dezembro 11%, em Janeiro 16%, em Março e Outubro 20% e em Fevereiro 26% do total de ocorrências. Repare-se, no entanto, que nunca coincidiram no mesmo ano, mais do que um destes casos excepcionais, em que, por exemplo, os 25mm de precipitação total mensal não tenham sido ultrapassados. Do mesmo modo que não esperaríamos a representatividade desta classe nesta época do ano, também estranhamos a razoável expressão relativa que em Junho, Julho e Agosto tem a classe seguinte, entre os 51 e os 100mm. Parece poder concluir-se daqui que Junho não pode ser classificado como um mês de pouca precipitação nesta estação. Em 30% dos anos registaram-se, neste mês, valores totais de precipitação superiores a 51mm. Julho e Agosto registaram na maioria dos anos, totais mensais de precipitação baixos, embora em alguns anos tenham sido ultrapassados os 50mm. Os máximos mais elevados, ocorreram respectivamente, em Julho de 1941 (94 mm) e em Agosto de1900 (126mm). Apesar de, na série, surgirem anos mais secos e anos mais húmidos, os totais de precipitação registados, quando observados em sequência, mostram que a variabilidade intra-anual supera em muito a variabilidade interanual. Isto aplica-se, tanto ao período em que se esperariam os maiores como os menores totais mensais. O comportamento dos totais mensais de precipitação confirma literalmente a ideia transmitida por Suzanne Daveau de que, no caso português, não se aplica a regra, verdadeira à escala do globo, de aumento da irregularidade com a diminuição dos quantitativos de precipitação26. O período mais pluvioso inicia-se, para qualquer das estações, em Outubro, culmina em Dezembro e só atinge totais médios mensais abaixo dos 50 mm em Julho e Agosto. Enquanto o mês mais seco27 para as estações localizadas próximo da costa é Julho, para as mais abrigadas da influência marítima a maior secura só acontece em Agosto. Durante o mês de Agosto todas as estações do litoral registaram totais de precipitação muito idênticos. Boa Nova, a estação mais próxima da costa, foi a que teve menos precipitação durante a maior parte do ano, exceptuando Abril, Setembro e Novembro. 26. DAVEAU, S., et al.- Geografia de Portugal, vol.2, Ed.Sá da Costa, Lisboa, 1988, p.416. 27. A utilização deste termo tem apenas o significado mais comum. Serve-nos, exclusivamente, para relativizar os valores de precipitação total mensal ao longo do ano e não surge da aplicação de qualquer critério de classificação de meses secos/meses húmidos. [ continuar ] |
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Faculdade
de Letras da Universidade do Porto. Última alteração em: 30-09-2000 |