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E) ENQUADRAMENTO TEÓRICO DOS OBJECTIVOS DESTE PROJECTO NO ACTUAL QUADRO DE CONHECIMENTOS NESTE DOMÍNIO (STATE OF ART)

As múltiplas e complexas relações que emergiram, no decurso de anteriores trabalhos de investigação (Monteiro, A, 1993), entre o tipo de processo de urbanização e as manifestações de mudança climática local e regional, a degradação da qualidade do ar e o agravamento de algumas patologias do foro respiratório e alergológico foram, como acabámos de afirmar, a alavanca principal que nos motivou a elaborar a candidatura a este projecto.

O interesse em iniciar uma nova sub-abordagem destas relações, agora com a inclusão de apenas algumas variáveis (tipo de tempo-qualidade do ar-crises asmáticas) parece-nos poder ser uma das formas mais eficazes de demonstrar a real magnitude dos impactes gerados pela urbanização e, portanto, de definir concretamente as áreas, as actividades e os comportamentos de maior risco na Área Metropolitana do Porto.

Os resultados obtidos na tentativa de definição da forma e da intensidade da "Ilha de Calor" portuense (A. Monteiro, 1993) vieram comprovar, definitivamente, a magnitude dos impactes no padrão térmico desta região provocados, exclusivamente, pelo tipo de utilização e pelo modo como tem vindo a ser gerido o espaço urbano portuense.

Decorrente desta hipótese explicativa, havia que demonstrar que não sendo provável esperar que existam, numa região com o posicionamento geográfico do Porto, condições atmosféricas favoráveis à concentração de poluentes, os padrões de qualidade do ar revelaram-se suficientemente degradados para justificarem um aumento do efeito de estufa local.

Foi exactamente o que verificámos quando inventariámos o estado de degradação da qualidade do ar. Observámos que a partir de um escasso número de postos de medição de um poluente, que traduz incipientemente os impactes provocados pelo fenómeno urbano na composição química da atmosfera portuense, como é o SO2, era claramente atribuível à estrutura artificial criada pelo Homem, que dá pelo nome de cidade, o enorme incremento no aumento da acidez forte detectado em vários postos da região.

Notámos, ainda, a coincidência entre a época em que os postos localizados dentro da cidade passaram a registar maior número de dias com teores de acidez forte elevados e a ocorrência das temperaturas mínimas mais elevadas.

A modificação, na área urbana, do sistema de circulação dos ventos gerados pelas alterações introduzidas no padrão térmico, aspirando o ar ao nível do solo para o centro sobreaquecido e arrastando consigo todos os poluentes fornecidos pelo denso conjunto de fontes da periferia próxima, pode elucidar-nos sobre a magnitude da real degradação da qualidade do ar nas áreas centrais da cidade, onde não dispusémos de postos de medição.

As inversões térmicas criadas por um aquecimento devido à compressão mecânica do ar proveniente de E, que se desloca da área mais elevada da cidade para o núcleo central, a menor altitude, contribui, também, para impedir a dispersão dos poluentes. Sendo assim, é de supôr que existam, na área central da cidade, excelentes condições para aí se virem a acumular e se manterem, durante bastante tempo, concentrações elevadas de SO2, de NOx, de CxHy ou de CO, emitidas em toda a área oriental.

Ao seleccionarmos outro indicador de qualidade do ar, facilmente relacionável com o fenómeno urbano, como é o caso do chumbo, verificámos que existem, também, indícios suficientes de que a composição química da atmosfera portuense está a ser alterada, fundamentalmente, por emissões excretadas pelo seu próprio metabolismo.


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Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Última alteração em: 30-09-2000
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