GUILHERMINA DE AZEREDO: UMA MULHER DO NORTE, NO SUL
Guilhermina
de Azeredo (São Mamede de Infesta, 30/09/1894 – Porto, 27/11/1976) era filha
do advogado Baltazar de Araújo Brito Rocha Aguiã e de Leonarda Maria Teresa
Pereira Forjaz de Sampaio. Depois do divórcio, o pai voltou a casar e, nos
finais do século XIX ou no início do seguinte, partiu para Benguela, onde
viveu longos anos, desenvolvendo uma intensa atividade cívica que contemplou o
exercício das funções de presidente da câmara.
Educada
na Suíça, Guilhermina de Azeredo viu os seus estudos superiores interrompidos
pelo eclodir da I Guerra Mundial. Partindo para Benguela em 1915, aí viria a
casar cinco anos mais tarde com António Maria de Azeredo, oriundo de uma
importante família nortenha e que também viria a dedicar-se à escrita e à
ficção. Em 1928, vê-se obrigada a regressar à metrópole em busca de
tratamento médico para o seu filho António. O marido juntar-se-ia à restante
família pouco tempo depois, chegando deste modo ao fim a experiência angolana
do casal. Pouco depois, fixar-se-iam numa quinta da família, em Samodães,
Lamego, assumindo a sua exploração agrícola. Na sequência de complicações
várias, voltariam, décadas mais tarde, para o Porto, cidade onde ambos
faleceram, António em 1966 e Guilhermina dez anos mais tarde.
Depois
do regresso definitivo à metrópole, Guilhermina de Azeredo passa a colaborar
na imprensa. Na década de 30, escreveu contos e crónicas de temática
educativa e social em revistas como Eva,
Portugal Feminino ou Magazine
Bertrand e em jornais como Acção e Diário de Coimbra.
Entrando já pela década de 40, participou em O
Mundo Português e na luso-brasileira Atlântico.
Publicaria também três livros, todos centrados em Angola: duas antologias de
contos — Feitiços, de 1935, e Brancos
e Negros, de 1956, ambos premiados em concursos da Agência-Geral das Colónias
— e um romance, O Mato, saído em
1972, em edição de autor. Deixou inacabado outro romance, também de temática
africana, com o título de Mulata e,
pronta para publicação, a coletânea Escravos
do Calço (contos durienses), que reúne textos anteriormente saídos em
revistas e jornais.
• Feitiços (1935)
• Brancos e Negros (1956)
• O Mato (1972)
Contos
e artigos
•
In Acção: Semanário português para
portugueses (Lisboa, 1936-1937; redactor-principal e editor: Augusto Ferreira
Gomes)
•
In Atlântico: Revista Luso-brasileira
(Lisboa / Rio de Janeiro)
•
In Diário de Coimbra: Jornal
regionalista da manhã, defensor dos interesses das Beiras
1933,
«Memorando colonial», in Diário de
Coimbra, 11 de Julho, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1933,
«Professores e explicadores», in Diário
de Coimbra, 12 de Julho, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1933,
«Obras sociais – Obras de educação», in Diário
de Coimbra, 5 de Agosto, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1933,
«O turismo na praia da Figueira da Foz», in Diário
de Coimbra, 16 de Agosto, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1933,
«País dos chorões», in Diário de
Coimbra, 3 de Novembro, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1933,
«Combate ao analfabetismo», in Diário
de Coimbra, 26 de Novembro, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1933,
«Anda Jesus pela Terra!», in Diário de
Coimbra, 25 de Dezembro, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1933,
«A ginástica em todos os tempos», in Diário
de Coimbra, 28 de Dezembro, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1934,
«Os parques infantis», in Diário de
Coimbra, 10 de Janeiro, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1934,
«Os parques infantis», in Diário de
Coimbra, 20 de Janeiro, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1934,
«Páginas africanas – A largada», in Diário
de Coimbra, 21 de Janeiro, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1934,
«O parque infantil de Coimbra», in Diário
de Coimbra, 28 de Janeiro, p. 1 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1934,
«Feitiços – O Grande (Páginas africanas)», in Diário de Coimbra, 10 e 11 de Fevereiro, p. 2 (sob o pseudónimo de
Maria Sampaio).
1934,
«Páginas africanas – Feitiços», in Diário
de Coimbra, 2, 3 e 4 de Março, p. 2 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
•
In Eva – Jornal da mulher e do lar
•
In Magazine Bertrand
1932,
«Kalunga», in Magazine Bertrand, n.º
66, Lisboa, Junho, pp. 42-45 (sob o pseudónimo de Maria Sampaio).
1933,
«Por mor de um cravo roxo», in Magazine
Bertrand, n.º 74, Lisboa, Fevereiro, pp. 38-40.
1933,
«Feitiços», in Magazine Bertrand,
n.º 84, Lisboa, Dezembro, pp. 45-48.
•
In O Mundo Português: Revista de
Cultura e Propaganda; Arte e Literatura Coloniais (com a II Série, o subtítulo
passou a ser “Revista de actualidades do Império”)
1935,
«Chiromba», in O Mundo Português,
Vol. II, n.º 19-29, Lisboa, Julho-Agosto, pp. 247-253.
1941,
«Mãe e filho», in O Mundo Português,
Vol. VIII, n.º 90, Lisboa, Junho, pp. 243-250.
1944,
«Tudo é “chipurulo” neste mundo…», in O
Mundo Português, Vol. XI, n.º 121, Lisboa, Janeiro, pp. 6-15.
1944,
«Ah! Meu amigo, meu amigo! Nós éramos tão novos e tão cheios de ilusões!»,
in O Mundo Português, Vol. XI, n.º
123, Lisboa, Março, pp. 101-107.
1944,
«Chica», in O Mundo Português, Vol.
XI, n.º 126, Lisboa, Junho, pp. 236-245.
1945,
«Colonos», in O Mundo Português,
Vol. XII, n.º 135, Lisboa, Março, pp. 102-110.
1947,
«Medo!», in O Mundo Português, II Série,
n.º 8, Lisboa, pp. 130-138.
•
In Portugal Feminino (Revista Mensal
Ilustrada)
1932,
«A “charrusca” milagrosa (Lenda serrana)», in Portugal Feminino, n.º 31, Lisboa, Agosto, p. 18.
1933,
«Natal português», in Portugal Feminino,
n.º 36, Lisboa, Janeiro, p. 23.
1933,
«A actividade social da mulher Suiça», in Portugal
Feminino, n.º 38, Lisboa, Março, p. 13.
1933,
«O encontro», in Portugal Feminino,
n.º 47, Lisboa, Dezembro, pp. 5-6.
1934,
«Carranquinha», in Portugal Feminino,
n.º 49, Lisboa, Fevereiro, pp. 9-10.
1934,
«A caminho do céu (Lenda serrana)», in Portugal
Feminino, n.º 53, Lisboa, Junho, pp. 19-21.
1934,
«A Acção Social Cristã no campo da Pedagogia», in Portugal Feminino, n.º 57, Lisboa, Outubro, p. 18.
1934,
«Uma grande lição», in Portugal
Feminino, n.º 59, Lisboa, Dezembro, p. 12.
1936,
«A “Carta ao Menino Jesus”», in Portugal
Feminino, n.º 72, Lisboa, Janeiro, p. 36.
1937,
«Desfolhando uma saudade sobre o nome da grande poetisa D. Maria Amélia
Teixeira (Filha)», in Portugal Feminino,
n.º 86, Lisboa, Fevereiro, pp. 23-24.
•
Em antologias
1961,
«Turião», in Luís Forjaz Trigueiros (introd., sel. e notas), O
Ultramar Português: Angola, Lisboa, Bertrand, pp. 89-95.
1969,
«Chica», in Amândio César, Contos
Portugueses do Ultramar – Antologia – II volume: Angola, Porto,
Portucalense Editora, pp. 553-569.
Ferreira,
Ana Paula (2020). Women Writing Portuguese Colonialism in Africa.
Liverpool: University Press.
França,
Luiz Fernando (2018). Uns contos iguais a muitos: estórias africanas, relações
de trabalho e estrutura narrativa no contexto colonial angolano e moçambicano
(décadas de 50/60). Tese de Doutorado. São Paulo: Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas da USP.
Pimenta,
Susana (2019). Dinâmicas coloniais e pós-coloniais: os casos de Reis
Ventura, Guilhermina de Azeredo e Castro Soromenho. Vila Nova de Famalicão:
Húmus.
Sousa,
Sandra (2013). «O Mato de Guilhermina de Azeredo: ambivalência colonial no
feminino». Buala.
Topa,
Francisco (2017). Uma lusa nos trópicos: a colaboração de Guilhermina de
Azeredo em Acção: semanário português para portugueses. Miguilim:
revista eletrônica do Núcleo de Estudos de Teoria Linguística e Literária do
Departamento de Línguas e Literaturas da Universidade Regional do Cariri. Ceará.
6: 3 (set.-dez.), pp. 153-162.
Francisco Topa (U. Porto / CITCEM)
Maria do Carmo Azeredo Lopes