EDITORIAL EDITORIAL

 

Desde 29/03/2004 

 

Esta revista nasce da proposta de um dos membros da sua Comissão Redactorial, apresentada em Março do ano passado ao Conselho do Departamento de Estudos Portugueses e Estudos Românicos e aprovada meses mais tarde, aparentemente sem grande entusiasmo.

            Subjacente à PRIMEIR@PROVA está a convicção de que o ensino universitário resulta do investimento e do esforço comum de professores e de alunos, animados pelo mesmo propósito de busca do conhecimento. Por isso a sua Comissão Redactorial integra alunos e professores; por isso entre os seus colaboradores estão antigos e actuais professores e alunos, do DEPER e de outros Departamentos; por isso esta revista pretende contribuir para que a nossa Faculdade seja uma casa comum, aberta e alegre, em que todos se sintam tratados como pessoas e vejam os seus méritos reconhecidos.

            A opção pelo formato electrónico não tem apenas a ver com a alegada crise financeira que a Faculdade de Letras do Porto atravessa. Resulta sobretudo do objectivo de romper com o isolamento a que o mundo académico se vota (mais do que é votado). Por isso, o título PRIMEIR@PROVA não é um indicador de incipiência ou de menoridade: nenhum trabalho aqui publicado pretende ser prova do que quer que seja, a não ser enquanto resposta afirmativa à pergunta – reciclada – do grafito que está numa das paredes da Faculdade de Letras de Coimbra: “Haverá vida inteligente na Universidade?”. A escolha do título prende-se mais com o outro lado: o Primeiro. Não propriamente por analogia com a ‘primeira prova’ tipográfica do nobre papel, mas antes por ter o propósito de primeira vez, pouco importando assim que o seja de facto ou não. Escrever é sempre pela primeira vez, pelo menos no sentido que nos interessa, e é nessa medida que pela primeira vez tentamos não olhar para o lado nem para trás, mas em frente, vendo gente que tem coisas para dizer. E por isso, além do que cabe nas salas de aula e nos corredores, queremos que esta revista diga o que neles não cabe ou de algum modo os faz mais amplos.

            A preparação deste n.º 0 trouxe uma série de alegrias, que não foram surpreendentes mas superaram as expectativas dos seus promotores. Mais do que o entusiasmo de um número considerável de alunos e de uma esmagadora minoria de professores – de que destacamos a Isabel Margarida Duarte e o Rogelio Ponce de León Romeo –, alegrou-nos sobretudo o alto nível das colaborações recebidas, em todas as áreas contempladas: poesia, prosa, entrevista, tradução, ensaio e crítica.

            Poderíamos também aproveitar a oportunidade para lamentar. Por exemplo: que o pedido de colaboração não tenha chegado a todos e não tenha encontrado eco em muitos, apesar dos nossos esforços: é possível que tenha esbarrado na desconfiança de princípio numa coisa que é on-line, que é pirateável, que mete alunos, que não tem referees e não vai integrar o Arts & Humanities Citation Index. Não o faremos contudo. Preferimos aguardar que o público se pronuncie (a revista tem um e-mail, os membros do Conselho Redactorial e os colaboradores também, bastando para isso clicar sobre o respectivo nome em cada um dos índices), com a esperança de que também estas palavras – mesmo sendo on-line – ‘maneant’.

 

Este número – que, nesse sentido, não é o 0, embora continue sendo experimental – é dedicado ao RAUL ALMEIDA. Também por isso nele colaboram tantos seus alunos e companheiros, que lhe querem deixar – com o Ministro da Cultura do Brasil – aquele abraço.

 

 

FRANCISCO TOPA

JOÃO PEDRO DA COSTA

PATRÍCIA FIGUEIREDO

ROSA MARIA MARTELO

 

 

NB. Esta revista não conta com nenhum patrocínio ou financiamento, pelo que não agradece a ninguém, a não ser aos seus colaboradores e aos seus leitores.