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British and North-American Utopianism

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Última actualização: 13 Janeiro, 2006

 

Designação

British and North-American Utopianism

Unidade de I&D da FCT

Instituto de Estudos Ingleses

Entidade(s) financiadora(s)

Fundação para a Ciência e Tecnologia

Investigador responsável

Maria de Fátima Sousa Basto Vieira

Área científica

Estudos Literários

Palavras-chave

utopia

Data de início

2004 (1 de Julho)

Data de conclusão

 

Investigadores

Maria de Fátima Vieira, Jorge Miguel Bastos da Silva, Aline Seabra Ferreira, Isabel Donas Botto, Iolanda Ramos, Maria Teresa Castilho

Instituições colaboradoras

 

URL

http://www.letras.up.pt/deaa/iei/

Resumo

O revivalismo dos Estudos sobre a Utopia é, na área das Humanidades, a característica mais significativa do final do século XX, depois de um período de descrédito e de rejeição durante décadas, na esteira da publicação de textos anti-utópicos, como o de Karl Popper The Open Society and its Enemies (1945). Um novo conceito dos Estudos sobre a Utopia emerge da ideia de que as utopias não devem ser entendidas como projectos a concretizar, mas como projectos que fornecem à sociedade uma visão de um modo de vida organizado e justo. A metáfora do horizonte sugerida por Marin (1984,1992), bem como a noção de “boa utopia” como linha de pensamento que “encontra uma ponte entre passado e futuro em (...) [as] forças do presente que potenciam a sua transformação” (Eagleton 2000), põem a tónica na importância da noção de utopia para uma melhor compreensão da modernidade e, sobretudo, da pós-modernidade.

Os conceitos de “heterotopia” (Foucault 1977) e de “utopics” (Marin 1984,1922) são essenciais para uma melhor compreensão desta mudança recente no seio dos Estudos sobre a Utopia, na medida em que eles nos impelem a centrar a nossa atenção nas relações sincrónicas do pensamento utópico com a ordenação espacial da sociedade. Partindo destes conceitos e usando, de entre outros, os instrumentos conceptuais definidos no contexto das denominadas “geografias pós-modernas” (Soja 1989), este projecto procura contribuir para o “mapear” (“mapping”) da sociedade através do “mapear” (“mapping”) dos seus sonhos. O facto de os textos utópicos analisados serem a expressão dos desejos de diferentes sentimentos nacionais (britânicos e norte-americanos) fará certamente com que o projecto seja relevante para as orientações de investigação do IEI. Nesta perspectiva, o estudo do utopismo implica, por um lado, a consideração das cristalizações intertextuais do pensamento utópico (a literatura utópica é, à sua maneira – como, aliás, toda a literatura – um palimpsesto) e, por outro lado, a análise do modo como encontramos, em cada utopia, uma interpretação única dos sonhos e dos projectos de uma nação, numa sociedade onde a identidade cultural não é um conceito rígido e imutável, mas uma ideia que sofre um processo contínuo de redefinição (Boaventura de Sousa Santos; Homi Bhabha). A intercepção entre o campo dos Estudos sobre a Utopia e o campo dos Estudos sobre o Espaço conduzir-nos-á à consideração do modo como a criação de espaços de utopia inevitavelmente implica a criação de espaços de alteridade (“otherness”).

O facto de este projecto de investigação reunir a contribuição de professores que dedicaram muito do seu tempo de investigação ao estudo de questões relacionadas com o utopismo britânico e norte-americano, possibilitará a abertura de perspectivas diferentes e complementares. Existem seis principais linhas orientadoras de investigação: o utopismo e o distopismo contemporâneos; a noção de América como utopia; o utopismo feminista britânico e norte-americano dos séculos XIX e XX; a utopia nas artes; as comunidades utópicas na Inglaterra Vitoriana; e utopia e classicismo no século XVIII em Inglaterra.

Abstract

In the field of Humanities, the revival of Utopian Studies is one of the most distinctive features of the end of the twentieth-century, after the period of discredit and dismissal it went through for decades, in the wake of anti-utopian works such as Karl Popper’s The Open Society and its Enemies (1945). The new strand of Utopian Studies departs from the idea that utopias must not be seen as projects to be fulfilled but, instead, have to provide society with a vision of an orderly and just way of life. The metaphor of the horizon put forward by Marin (1984, 1992), as well as the idea of a “good utopia” as a strand of thought that “finds a bridge between present and future in (… [the]) forces within the present which are potentially able to transform it” (Eagleton 2000), emphasize the relevance of the idea of utopia for a better understanding of modernity and, especially, of post-modernity.

The concepts of “heterotopia” (Foucault 1977) and “utopics” (Marin 1984, 1992) are essential to the comprehension of this recent shift in the field of Utopian Studies, as they impel us to centre our attention on the synchronic relationships of utopian thought with the spatial ordering of society. Departing from these perspectives and using, among others, the conceptual tools defined in the context of the so-called “postmodern geographies” (Soja 1989), this project seeks to contribute to the “mapping” of society through the “mapping” of its dreams. The fact that the utopian pieces examined will be the expression of the longings of different national feelings (British and North-American) will certainly make the project relevant for the I.E.I. main research concern. In fact, the study of utopianism from this perspective will imply, on the one hand, the consideration of the intertextual crystallizations of utopian thought (in its own way, utopian literature – as all literature, in fact – is palympsestic) and, on the other hand, the analysis of the way each utopia stands for a unique interpretation of a nation’s dreams and projects, in a society where cultural identity is not a rigid, immutable concept but an idea suffering an ongoing process of redefinition (Boaventura de Sousa Santos; Homi Bhabha). The intersection of the field of utopian studies with the field of spatiality studies will also lead us to the consideration of the way the creation of spaces of utopia inevitably imply the creation of spaces of otherness.

The fact that the research project brings together the contribution of scholars who have devoted much of their research time to the study of issues related to British and American utopianism, will allow for the opening of different and complementary perspectives. Six main lines of research will be pursued: on contemporary utopianism and dystopianism; on the idea of America as utopia; on 19th and 29th century British and American feminist utopianism; on utopia and the Arts; on utopian communities in Victorian England; and on utopia and classicism in 18th-century England.

Publicações

. Maria de Fátima Vieira, Estilhaços de Sonhos: Espaços de Utopia.Org. Fátima Vieira and Maria de Teresa Castilho. V. N. Famalicão, Editora Quasi, 2004, pp 198.

. Maria de Fátima Vieira, “Para uma Cartografia da Contemporaneidade: o Olhar Sincrónico e a Revitalização dos Estudos Culturais”, in Volume de Homenagem à Prof. Doutora Maria Leonor Machado de Sousa, Lisboa, Edições Colibri/Faculdade de Ciências Sociais e Humanas/ Centro de Estudos Anglo-Portugueses, Lisboa, 2004, pp 673-679.

. Maria de Fátima Vieira, “O Utopismo e a Crise da Contemporaneidade: Velhas receitas para Novos Caminhos in Estilhaços de Sonhos: Espaços de Utopia, Org. Fátima Vieira e Maria de Teresa Castilho, V. N. Famalicão, Editora Quasi, 2004, pp 32-47.

. Maria de Fátima Vieira, “O Espaço da Utopia em The Tempest de William Shakespeare, in Estudos de Homenagem ao Professor Doutor António Ferreira de Brito, Porto, FLUP, 2004, pp 377-388.

. Maria de Fátima Vieira, “Percursos de Aproximação de A Tempestade de William Shakespeare à Literatura Utópica”, in Morus: Utopia e Renascimento, n.º 1,  2004,  pp 83-88.

. Maria de Fátima Vieira, “A verdade do Socialismo Segundo William Morris” (a publicar em Estudos de Homenagem à Professora Doutora Margarida Losa, Porto, FLUP, 2005).

. Maria de Fátima Vieira, “1984: Contributos para uma Abordagem Espacial da Distopia Orwelliana” ,(a publicar em George Orwell: Perspectivas Contemporâneas , org. Fátima Vieira e Jorge Bastos da Silva, Porto , Flupedita,  2005).

. Maria de Fátima Vieira, “A Literatura Utópica Inglesa no Período da “palavra retraída”: Contributo para o Estudo da Recepção da Revolução Francesa em Inglaterra”, in Volume de Homenagem ao Professor Doutor Hélio Alves, Braga, Universidade do Minho, 2004.

 

British and North-American Utopianism

 

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