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Racionalidade... I

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Última actualização: 13 Janeiro, 2006

 

Designação

Racionalidade, Desejo, Crença I - a motivação para a acção do ponto de vista da teoria da mente

Unidade de I&D da FCT

IF/GFMC - Instituto de Filosofia (Gabinete de Filosofia Moderna e Contemporânea)

Entidade(s) financiadora(s)

FCT , FLAD

Investigador responsável

Sofia Miguens

Área científica

Filosofia

Palavras-chave

Racionalidade, agentes, crenças, desejos, motivação

Data de início

2003

Data de conclusão

2005

Investigadores

Sofia Miguens, Paulo Tunhas, João Alberto Pinto, Sara Bizarro, Luísa Couto Soares, Tomás Magalhães

Instituições colaboradoras

FLAD, Universidade de Santiago de Compostela (Departamento de Lógica e Filosofia da Ciência), Universidade de Rutgers (New Jersey State University), Center for Cognitive Science

URL

http://web.letras.up.pt/smiguens/mlag/index.html

Resumo

O objectivo final do Projecto Racionalidade, Desejo, Crença – a motivação para a acção do ponto de vista da teoria da mente é a obtenção de uma "teoria filosófica geral da racionalidade". Esta envolve várias coisas: (1) uma descrição ou caracterização dos factores em jogo nas ocasiões em que agentes passam de determinadas crenças para outras crenças, adicionam ou eliminam crenças do seu corpo de crenças, ou optam, a partir de um conjunto de crenças e desejos, por um curso de acção por entre várias alternativas, (2) um conjunto de hipóteses acerca da forma como decidimos entre critérios de correcção quando falamos da justificação ou racionalidade de crenças e acções, (3) um conjunto de hipóteses acerca das razões por que queremos saber (se de facto queremos) se as nossas crenças são verdadeiras e os nossos raciocínios e acções racionais.

Nenhum dos termos da formulação deste objectivo é neutro ou pode ser tomado como garantido – pelo contrário, termos e expressões tais como ‘teoria filosófica da racionalidade’, ‘agentes’, ‘critérios de correcção’ ou o próprio facto de se considerar a ‘motivação para a acção’ como referência para o problema da racionalidade (quando de facto interessam também as questões da racionalidade teórica), indicam só por si caminhos que nos interessou explorar, assim como opções de percurso.

Abstract

This project aims at an analysis of the nature of rationality, from the perspective of analytic philosophy and cognitive science, and focusing on  motivation to action. The final result should be a theory of rationality, which we think involves (1) a characterization of the factors at play when cognitive agents move from certain beliefs to others, add or eliminate beliefs from their corpus of beliefs, or opt for a course of action from several alternatives, based on a set of beliefs and desires, (2) a set of hypotheses on how we decide among rightness criteria when we talk of the justifiedness of beliefs and actions, (3) a set of hypotheses on the reasons which lead us to want to know (if indeed we do) if our beliefs are true and our reasonings and actions rational.

The formulations above are not in any way neutral – terms such as ‘rationality’, ‘agents’, ‘criteria of correctness’ or the very fact that motivation to action is taken as the reference for investigating rationality indicate specific directions we have chosen to follow in this project.

Publicações

. Intelectu nº 9 - Outubro de 2003

 . Trólei nº4 – Outubro de 2004

. ARQUIVO ON-LINE do projecto RBD1, em http://www.letras.up.pt/df/if/gfmc/gfmc.html (criado para materiais do Projecto, publicados ou não noutros lugares)

 

Racionalidade, Desejo, Crença - a motivação para a acção do ponto de vista da teoria da mente

 

Este foi o primeiro projecto levado a cabo no GFMC na área da filosofia da mente. Constituiu uma motivação prática para o fortalecimento de relações institucionais, nacionais e internacionais, nessa área. Entre elas sobressaem as relações com a Universidade de Rutgers (os Professores S. Stich e A. Goldman foram consultores do Projecto, e realizaram-se missões Portugal-EUA e EUA-Portugal, financiadas na sua quase totalidade pela FLAD), bem como com a Universidade de Santiago de Compostela, Espanha (realizaram-se também várias missões em ambos os sentidos, tendo sido estabelecida uma colaboração corrente, nomeadamente nas pessoas dos Professores Juan Vazquez e Concha Martinez).

Este projecto teve a intenção de estabelecer um grupo de investigadores na área da filosofia da mente / ciência cognitiva trabalhando em português e baseado no Porto, com uma boa rede de relações internacionais e servindo-se de meios práticos como publicações electrónicas. O livro Racionalidade (Miguens 2004), cujos conteúdos e materiais antecedem obviamente a publicação, serviu como denominador comum e ponto de partida para as actividades do Projecto.

(Sofia Miguens, Racionalidade, 2004) «Explico, antes de mais, a ideia de uma "teoria filosófica da racionalidade". Pretendo que ela seja entendida por contraste com investigações empíricas sobre racionalidade, mesmo se em última análise pretende ser contínua com estas investigações e tomá-las sempre como referência. Isto significa que parto do seguinte princípio. Estamos hoje perante aportações importantes e incontornáveis nos estudos da racionalidade, por exemplo investigações empíricas relativas a raciocício, decisão e emoções, feitas no âmbito da psicologia cognitiva, da Inteligência Artificial e da neurociência. O facto de essas investigações deverem ser tomadas como referência numa teoria da racionalidade não significa que elas nos ofereçam, já pronta, uma ‘teoria filosófica da racionalidade’. Antes de mais porque aquilo que fazemos quando falamos de racionalidade é susceptível de várias interpretações, nomeadamente uma interpretação normativa e uma interpretação descritiva. De acordo com uma "interpretação normativa", um agente racional, se é racional, obedecerá necessariamente a certos princípios de raciocínio e decisão. A pedra de toque de uma "interpretação descritiva" é a observação empírica: a referência dos estudos da racionalidade não são princípios mas comportamentos de raciocínio e decisão que os agentes têm de facto. Esta segunda interpretação desvia a atenção de princípios de correcção declarados a priori para factores que influenciam o comportamento dos agentes, por exemplo factores psicológicos. É conveniente estar preparado para o facto de a evidência experimental não estar de acordo com os princípios abstractos da racionalidade – e saber o que isso significa é um problema em aberto É em parte por isso que os resultados das investigações referidas não são suficientes para constituir imediatamente uma teoria filosófica da racionalidade (…) várias tarefas são necessárias a uma teoria da racionalidade. Ao longo deste livro chamar-lhes-ei ‘questões para uma teoria filosófica da racionalidade’. Passo a enumerá-las:  (…) (i) cânones de racionalidade (lógica, teoria das probabilidades, teoria da decisão) e critérios de correcção, (ii) teorias normativas e agentes reais, (iii) modelos de racionalidade e sua suposta refutabilidade empírica, (iv) suposições de racionalidade na teoria da mente, (v) estatuto do mental da realidade e estatuto dos folkconcepts, (vi) o papel dos desejos e a estrutura motivacional dos agentes; (vii) a questão alargada da racionalidade; (viii) a questão fenomenológica da racionalidade, (ix) a questão pessoal da racionalidade».

(extractos do Editorial do nº 4 da revista Trólei,  integralmente dedicado ao tema da motivação para a acção): «Não é fácil definir "motivação". Em muitos contextos da psicologia e da neurociência a motivação está ligada à avaliação e selecção de finalidades (goals) do comportamento e aos mecanismos cognitivos, neuroquímicos ou hormonais subjacentes a esses processos, e pode ser definida como "uma influência moduladora e coordenadora sobre a direcção, o vigor e a composição do comportamento", com fontes internas, ambientais e sociais. As mudanças de estado motivacional manifestam-se em vários níveis da organização comportamental e neuronal dos agentes. Ainda nesses contextos, a questão da motivação costuma estar próxima da questão das emoções. Podemos definir "emoções" como estados ou processos psicológicos que funcionam na gestão dos fins dos agentes. As emoções são tipicamente provocadas por avaliações de acontecimentos em função da sua relevância para certos fins: elas são positivas quando se avança em direcção ao fim, negativas quando se é de alguma forma impedido de avançar. (Os agentes de que aqui se fala são animais, humanos ou não-humanos.) As emoções funcionam ainda como forma de "colocar como prioritário" algum fim ou plano do agente relativamente à acção ou à vida mental em geral».

 

Sofia Miguens, 2004, Racionalidade, Porto, Campo das Letras.

 

Conteúdos:

 

Prólogo

 

INTRODUÇÃO. Estudos da racionalidade e a ideia de uma teoria filosófica da racionalidade.

Questões para uma teoria filosófica da racionalidade: (i) cânones de racionalidade (lógica, teoria das probabilidades, teoria da decisão) e critérios de correcção, (ii) teorias normativas e agentes reais, (iii) modelos de racionalidade e sua suposta refutabilidade empírica, (iv) suposições de racionalidade na teoria da mente, (v) estatuto do mental da realidade e estatuto dos folkconcepts, (vi) o papel dos desejos e a estrutura motivacional dos agentes; (vii) a questão alargada da racionalidade; (viii) a questão fenomenológica da racionalidade, (ix) a questão pessoal da racionalidade.

 

CAPÍTULO 1. O que é ser racional? Investigações sobre racionalidade: história e organização da literatura.

Racionalidade instrumental, racionalidade teórica e racionalidade prática. Aristóteles, a racionalidade teórica e a racionalidade prática. Teoria da decisão. Poderá a racionalidade ser empiricamente refutada? Psicologia cognitiva: juízo e tomada de decisão. Como interpretar os resultados da psicologia cognitiva? Psicologia evolutiva e racionalidade – resultados e interpretações.

 

CAPÍTULO 2. Filosofia e racionalidade prática: o que devemos fazer?

Teoria da acção, modelo crença-desejo, razões e causas, acção intencional (E. Anscombe e D. Davidson). Racionalidade na acção: teoria instrumental. Filosofia moral: D. Hume versus I. Kant. Hume: a motivação para a acção. Kant: a motivação para a acção. Hume, Kant e a deliberação. Da filosofia moral à filosofia política. Da motivação individual para a acção a concepções de sociabilidade e coordenação das acções de indivíduos – a tradição sentimentalista (D. Hume e A. Smith).

 

CAPITULO 3. Filosofia e racionalidade teórica: em que devemos acreditar?

Quem deve estudar a racionalidade, o cientista cognitivo ou o filósofo? A. Goldman e S. Stich acerca de questões meta-epistemológicas. A. Goldman – a natureza da justificação. S. Stich – contra a ‘epistemologia analítica’: justificação e pragmatismo.

 

CAPITULO 4. Duas teorias filosóficas da racionalidade.

Simon Blackburn – a mente e a natureza da racionalidade prática. Motivação para a acção: sentimentalismo versus racionalismo. Natureza das pretensões normativas éticas: expressivismo. Os desejos, o eu e os outros: sentimentos morais e crítica ao egoísmo psicológico. Importância e problemas da proposta de Blackburn.

Robert Nozick – uma teoria da racionalidade simbólica. Princípios. Da teoria da decisão à ética: Princípios e significado simbólico. Regras práticas para a racionalidade teórica. Limites da racionalidade instrumental: natureza e valor da racionalidade. Desejos e princípios.

 

CONCLUSÃO

 

Intelectu nº 9 - Outubro de 2003 (www.intelectu.com) Número especial da Revista

Editorial - Sara Farmhouse Bizarro e Sofia Miguens

Em que devemos acreditar? Questões epistemológicas e investigações cognitivas (A. Goldman versus S. Stich) - Sofia Miguens

Uma objecção à teoria instrumental da razão prática - Pedro Madeira

O que é o modelo crença-desejo? - Pedro Madeira

A objecção de Nagel ao modelo crença-desejo (e o realismo moral) - Pedro Madeira

Robert Nozick e a natureza da racionalidade - Sara Farmhouse Bizarro

Tradução: F. Ramsey, Truth and Probability (Ponto 3, a lógica das crenças parciais) - Pedro Madeira

Tradução: T. Carneiro, R. Samuels, S. Stich & P. Tremoulet, Repensando a Racionalidade: de implicações pessimistas a módulos darwinianos (in Lepore & Pylyshyn, Rutgers Invitation to Cognitive Science, 1999)

Recensão: A. Damásio, Looking for Spinoza - Joy, Sorrow and the Feeling Brain - Júlio Campos

 

Trólei nº4 – Outubro de 2004 (www.etica.no.sapo.pt/trolei.htm) Número especial da Revista

(Número temático: a motivação para a acção)

Editorial – Pedro Galvão e Sofia Miguens

D. Mendonça, Experience as reason – emotions and values in the construction of rationality

P. Madeira, Serão o cognitivismo, o internalismo motivacional e o modelo crença-desejo conjuntamente consistentes?

P. Galvão, Teoria da decisão e motivação para a acção

S. Caló, Do corpo e das crenças – a acção e o mundo autista

P. Madeira, Recensão, T. Pink, Psychology of Freedom

Tradução: H.Sidgwick, Methods of Ethics (extracto – motivação para a acção) – Pedro Galvão

 

Ver ainda os estudos:

 

. Racionalidade: estudos empíricos e filosofia

Stephen Stich, R. Samuels, S. Stich & P.D. Tremoulet, Rethinking Rationality: from Bleak Implications to Darwinian Modules. (in E. Lepore & Z. Pylyshyn (eds.) Rutgers Invitation to Cognitive Science); (tradução portuguesa de Tomás Carneiro, para publicação em Ensaios Sobre Racionalidade, Porto, Campo das Letras).

Júlio Campos, Recensão a Looking for Spinoza de António Damásio.

Evelyne Guillemeau, Resposta spinozista a António Damásio

André Barata, Os sentimentos confundem-se com o princípio da consciência (entrevista a António Damásio)

 

.Crença

Maria Luísa Couto Soares, Crença. Racionalidade. Prática.
Juan Vasquez,
Percepción y lenguage: aproximación neurológica.
José Luís Falguera,
Inconmensurabilidad, percepción e informes observacionales.
Sofia Miguens, Language and Thought. (A publicar in Actas do Congresso Internacional de Linguística Cognitiva, Faculdade de Filosofia de Braga, Julho de 2003.)

 

.Racionalidade e Lógica

Concha Martinez, Naturalismo y Lógica

 

.Racionalidade Prática / Teoria da Acção

Pedro Madeira, Uma objecção à teoria instrumental da razão prática. (Publicado em Intelectu nº9, Outubro de 2003.)

Pedro Madeira, O que é o modelo crença-desejo? (Publicado em Intelectu nº9, Outubro de 2003).

Sofia Miguens, Recensão de D. Dennett 2003. Freedom Evolves (Publicado em Disputatio 14, Maio de 2003. Edição on-line).

Sofia Miguens, Blackburn e Hume, Razão e Paixões (acerca da estrutura da motivação humana). (Publicado em Intelectu nº7  Arquivo), 2002, e Revista da Faculdade de Letras do Porto – Série de Filosofia, nº 18, 2002, como recensão de S. Blackburn 1998, Ruling Passions).

 

. Racionalidade e Filosofia Moral e Política

Pedro Madeira, A objecção de Nagel ao modelo crença-desejo (e o realismo moral). (Publicado em Intelectu nº9, Outubro de 2003)

Sofia Miguens, Identidade pessoal e posição original rawlsiana. (Publicado na Revista Portuguesa de Filosofia, LIX, 1, 2003, pp.139-170)

Pedro Madeira, Separar realismo e cognitivismo, Revista da Faculdade de Letras – série de Filosofia, nº19, 2004.

 

. Racionalidade e Filosofia da Mente

Sofia Miguens, Agentes racionais e irracionais (quanta racionalidade é necessária na filosofia da mente?). (Publicado em J. L. Falguera, A. J. T. Zilhão C. Martínez e J.M. Sagüillo, Palabras y pensamientos: una mirada analítica, I Jornadas Hispano-Portuguesas de Filosofia Analítica, Universidade de Santiago de Compostela, 2003.)

 

. Racionalidade e Epistemologia

Sofia Miguens, Em que devemos acreditar? Questões epistemológicas e investigações cognitivas (A. Goldman versus S. Stich). (Publicado em Intelectu nº9, Outubro de 2003)

Juan Vasquez, La observación cientifica en el processo de contrastación de hipótesis y teorias.

 

. Racionalidade: autores

Paulo Tunhas, Três tipos de crenças. (Para publicação em Ensaios Sobre Racionalidade, Porto, Campo das Letras)

Paulo Tunhas, F.Gil: a convicção

André Barata, As razões da convicção

Sara Bizarro, Robert Nozick e a natureza da racionalidade. (Publicado em Intelectu nº9, Outubro de 2003).

 

. Clássicos

Pedro Madeira, Tradução e comentário do Ponto 3 de F. Ramsey, Truth and Probability.(Tradução publicada em Intelectu nº9, Outubro de 2003)

 

 

 

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