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Para uma antropologia

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Última actualização: 13 Janeiro, 2006

 

Designação

Para uma antropologia da dor e do sofrimento

Unidade de I&D da FCT

IF/GFMC - Instituto de Filosofia (Gabinete de Filosofia Moderna e Contemporânea)

Entidade(s) financiadora(s)

FCT

Investigador responsável

Maria José Cantista

Área científica

Filosofia

Palavras-chave

Data de início

1997

Data de conclusão

2001

Investigadores

Maria José Cantista, Maria Manuel Jorge, Sofia Miguens, João Alberto Pinto, Diogo Alcoforado, Maria Manuela Martins, José Maria Costa Macedo

Instituições colaboradoras

Várias universidades europeias e americanas, por ex. Paris IV- Sorbonne, Lovaina, Chicago, etc.

URL

http://www.letras.up.pt/df/if/gfmc/gfmc.html

Resumo

A dor é a experiência penosa, a experiência do desprazer de intensidade e duração variáveis, normalmente localizada no corpo próprio e geradora de evitamento. A experiência da dor é universal entre os seres humanos e estende-se a outras espécies animais. É um exemplo paradigmático de experiência consciente e coloca desde logo o problema de saber que tipo de acontecimento ela constitui. Na medida em que parece irredutível a uma descrição externa, como seria a que tomasse por base disposicões comportamentais, evidencia uma perspectiva privilegiada: a daquele que se vê afectado por ela. O principal objectivo deste projecto é levar a cabo uma investigação fenomenológica dos fenómenos da dor e do sofrimento a partir de contribuições multidisciplinares (provindas de áreas como a medicina, a psicologia, a teologia, as artes, etc). Essa investigação procurará articular uma concepção antropológica da dor e do sofrimento, que pretendemos seja relevante para vários domínios teóricos e práticos.

Abstract

Pain is unpleasant experience, of variable intensity and duration. It is usually located in the proper body, and generates avoidance. The experience of pain is universal among human beings and extends to other animal species. It is also a paradigmatic example of conscious experience, and presents us with the challenge of clarifying what kind of event it is. As far as it seems to be irreducible to an external, third-person, description, it brings forth the importance of a privileged, first-person, perspective: that of the being who is affected by pain. The aim of this project is to ground a phenomenological investigation of pain and suffering on a multidisciplinary approach to pain, in order to articulate the fundamental anthropological ingredients of the experiences of pain and suffering. We intend to have philosophers working together with doctors, psychologists, theologians, artists, since all those fields relate to the fundamental human experiences of pain and suffering.

Publicações

. “A Dor e Sofrimento: uma perspectiva interdisciplinar” (textos dos Seminários realizados no âmbito do projecto de investigação Para uma Antropologia da Dor e do Sofrimento), AA. VV., coordenação de Maria José Cantista, Ed. Campo das Letras, Colecção Noûs, Maio de 2001.

. “A Dor e o Sofrimento: Abordagens” (Actas do Colóquio A dor e o sofrimento, hoje – 27-29 Março 2000), AA. VV., coordenação de Maria José Cantista, Ed. Campo das Letras, Colecção Noûs, Dezembro de 2001.

. “O poder e o saber”, Maria Manuela Pires de Carvalho, Ed. Campo das Letras, Colecção Noûs (Coord.: Maria José Cantista), Janeiro de 2001.

. “Subjectividade Plural”, Maria Helena Mano Pinheiro, Ed. Campo das Letras, Colecção Noûs (Coord.: Maria José Cantista), Fevereiro de 2002.

. “Superveniência, materialismo e experiência”, João Alberto Pinto, Ed. Campo das Letras, Colecção Noûs (Coord.: Maria José Cantista), em preparação.

. “Uma Teoria Fisicalista do Conteúdo e da Consciência – D. Dennett e os debates da filosofia da mente”, Sofia Miguens, Ed. Campo das Letras, Colecção Noûs, (Coord.: Maria José Cantista), 2002

 

Para uma antropologia da dor e do sofrimento

 

(M J Cantista, Prefácio A Dor e o Sofrimento) «Juntamente com a morte, a dor e o sofrimento são experiência filosóficas por excelência, que escapam, na sua radicalidade última, à resolução no âmbito estritamente científico (…) são questões metafísicas e morais que se prendem com a essência mesma do homem, com a sua (in)justificação fundacional, com o risco da sua liberdade, com a realidade do mal e o cortejo de situações que o acompanham: violência, tortura, ódio, inveja, prepotência.» Com este projecto pretendemos recensear o que a filosofia contemporânea, em diálogo com variadas disciplinas, tem a dizer sobre estes fenómenos.

 

Este foi o primeiro projecto de grande dimensão levado a cabo pelo Gabinete de Filosofia Moderna e Contemporânea (GFMC) do Instituto de Filosofia da FLUP. Teve, além dos seus resultados teóricos, a função prática de estabelecer o GFMC enquanto estrutura de investigação no seio da Unidade I&D 502. Foi dirigido pela Professora Maria José Cantista.

 

O GFMC tem como objectivos proporcionar a actualização da formação dos seus membros nas diversas áreas da Filosofia Moderna e Contemporânea, constituir um fórum destinado a acolher a colaboração entre a Filosofia e a comunidade científica e propiciar a aproximação entre a Universidade e o Ensino Secundário. Nesse sentido, o GFMC leva a cabo actividades de índole diversa, desde a organização de seminários, conferências, colóquios, projectos de investigação e publicações. Tem ainda como objectivo enquadrar investigação pós-graduada em Filosofia Moderna e Contemporânea.

As actividades do GFMC tiveram início em 1996, sob a coordenação científica e institucional da Professora Maria José Cantista. O GFMC foi integrado em 1997 no Instituto de Filosofia da FLUP, que se constituiu então como Unidade de Investigação (Unidade de I&D 502) financiada pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia. O GFMC assumiu desde o início como um dos seus objectivos o cruzamento de tradições diversas da filosofia contemporânea, nomeadamente a fenomenologia e a filosofia analítica.

A existência do GFMC consolidou-se com a organização, a partir de 1997, de conferência de autores franceses, especialistas em diversas áreas da filosofia. Nesse contexto, colaboraram com a Faculdade de Letras da Universidade do Porto nomes significativos da filosofia francesa contemporânea. Nos anos lectivos de 1997/1998, 1998/1999 e 1999/2000 o GFMC contou com a presença de Kostas Axelos, Bernard Bourgeois, Blandine Kriegel, Jean Galard, Jean Ladrière, Nicolas Grimaldi, Jacqueline Lagrée, Michel Dupuis, Renaud Barbaras, Jérôme Porée, Vincent Descombes, Gilles Cohen-Tannoudji, Jean-Pierre Dupuy, Jean-Luc Marion, Marc Richir, Luc Ferry, Eric Emery e Alexis Philonenko. Estas conferências, organizadas em colaboração com o Instituto Francês do Porto e com o seu então director M. Christian Crognier, conduziram à publicação, em 2000, dos primeiros volumes da Colecção Nous da responsabilidade do GFMC. Desde então, várias publicações se seguiram.

O GFMC pretende, tanto quanto possível, abranger âmbitos diversificados da actividade filosófica, e assim, neste mesmo período, às conferências de autores franceses acrescentaram-se, por exemplo conferências de João Branquinho, António Zilhão, David Papineau e Luísa Couto Soares. Os conferencistas convidados pelo GFMC trabalham em áreas que vão desde a filosofia da ciência, à fenomenologia, à filosofia política, à lógica, filosofia da linguagem e filosofia da mente.

A partir do ano lectivo de 1998-1999 o GFMC procurou organizar as suas actividades de investigação em torno do Projecto Para uma Antropologia da Dor e do Sofrimento. Neste âmbito, realizaram-se, a partir de 1998, seminários quinzenais no Instituto de Filosofia da FLUP (actual Departamento de Filosofia), nos quais foram apresentadas comunicações relacionadas com o tema do Projecto de Investigação por especialistas de diversas áreas, desde a medicina (neurofisiologia, psiquiatria) à psicologia, direito, história e literatura. A realização dos Seminários conduziu à publicação, em 2001, de mais um volume na Colecção Nous, intitulado Dor e Sofrimento – uma abordagem interdisciplinar.

No âmbito do referido Projecto de Investigação foi estabelecido um protocolo com a Universidade de Lovaina (Bélgica), na pessoa do Professor Michel Dupuis, o qual envolveu missões em ambos os sentidos. As actividades do projecto tiveram o seu ponto alto com a realização do Colóquio Internacional A Dor e o Sofriemtno hoje, em Março de 2000 no Porto. As Actas do Colóquio foram publicadas na colecção Nous em 2001. Outras publicações se seguiram, nomeadamente de dissertações de Mestrado e Doutoramento enquadradas pela investigação realizada no âmbito do GFMC.

 

 

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