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Riscos Naturais em áreas de terraços

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Resultados  

A nível de riscos naturais, as áreas de terraços são afectadas principalmente por movimentos de vertente (fluxos de detritos, de lama e desabamentos). São vários os registos históricos de jornalistas, populares e escritores de quedas de muros e “enxurradas” após precipitações intensas abundantes, causadoras de grandes prejuízos materiais (Bateira, et al, 2004).

A área do Vale do Douro é afectada por episódios chuvosos que, embora esporádicos, se caracterizam por uma intensidade bastante forte. Estes episódios, associados a períodos mais prolongados de precipitação, são responsáveis por uma forte dinâmica de vertentes, como a que se observou no Inverno de 2000/2001, altura em que, em resultado de um período excepcionalmente pluvioso, ocorreram diversos movimentos de vertente.

Conclusões

Bibliografia  
Parceiros  
Ligações  
Objectivos  
Zonas Piloto
Campos Experimentais  
 
   
Fluxo de Lama de Sta. Marinha do Zêzere, numa área de granitos (2001)  

Fluxo de Lama de Alvações do Corgo, numa área de metassedimentos (2001)

     
   

Através do levantamento de campo nas zonas piloto, registaram-se vestígios de instabilidade em vertentes (quedas de muros, muros reconstruídos, alinhamentos de quedas de muros e cicatrizes de fluxos), testemunhos de episódios de instabilidade anterior. Para além disso, as formações superficiais existentes são também um importante indício dessa instabilidade. Apesar da menor frequência de ocorrência, estes processos marcam de forma indelével a paisagem do vale do Douro.

Na elaboração de cartografia da susceptibilidade a movimentos de vertente ponderaram-se os seguintes critérios: formações superficiais, declive, rede hidrográfica, registos de instabilidade, fracturação e presença de muros de suporte, tendo em conta a litologia e processos geomorfológicos dominantes.

Na área de metassedimentos (Bacia Hidrográfica da Meia Légua) se registaram cerca de 400 situações de instabilidade em terraços agrícolas com muro de suporte (principalmente desabamentos). Enquanto que na área de granitóides o número de ocorrências é muito menor, encontrando-se pequenos desabamentos, deslizamentos, cicatrizes e depósitos de antigos fluxos.

Verificámos que na Bacia Hidrográfica da Meia Légua, os valores mais elevados de concentração do fluxo, de declive e vertentes côncavas apresentam uma elevada coincidência com as áreas onde se observaram maiores indícios de instabilidade nos muros de suporte. Por isso, concluir-se que estes factores contribuem de forma determinante para a instabilidade das vertentes organizadas em terraços agrícolas.

A relação entre a instabilidade e os factores considerados condicionantes permitiu a avaliação da susceptibilidade geomorfológica. Esta apresenta uma área muito importante da bacia como correspondendo a susceptibilidade forte, cerca de 19%, e a susceptibilidade muito forte, cerca de 15%.

A análise da distribuição da área dos diferentes sistemas de armação segundo a classe de susceptibilidade, permite observar que os sistemas de muros e de taludes em terra com sensivelmente os mesmos valores, cerca de 40% da sua área encontra-se em áreas de susceptibilidade forte e muito forte.

   

Figura - Susceptibilidade Geomorfológica a Movimentos de Vertente na Bacia Hidrográfica da Carriça (Baião)

   
Figura - Susceptibilidade Geomorfológica a Movimentos de Vertente na Bacia Hidrográfica da Meia Légua (Peso da Régua)

Estes valores são normais uma vez que a grande maioria das áreas de taludes em terra resultou da reconversão de vinhas e não da criação de novos vinhedos. Ou seja, a generalidade das áreas com taludes, têm as mesmas características, do ponto de vista dos factores condicionantes da instabilidade considerados, nas áreas com muros de pedra. A questão que subsiste é a de saber se vertentes organizadas com taludes em terra têm o mesmo comportamento de vertentes organizadas em terraços com muros de pedra, ou seja, se em termos de funcionamento hídrico se verificam respostas semelhantes às dos terraços com muros de pedra.

Uma vez que a precipitação é o principal factor desencadeante destes movimentos de vertente, partiu-se das conclusões do trabalho para elaborar um esquema interpretativo da estabilidade de vertentes.

Nos granitos, o factor de estabilidade das vertentes vai diminuindo progressivamente quando há períodos secos curtos entre os episódios de precipitação e este factor diminui quando as precipitações têm maior intensidade e intervalos mais reduzidos. Se o período seco aumentar, para além dos 15 dias, o factor de estabilidade aumenta (Figura A).

Nos metassedimentos, o factor de estabilidade das vertentes nas fases de precipitação, diminui em função da sua intensidade, mas depois do episódio o factor de estabilidade volta para o nível anterior (Figura B).

   
 

Esquema interpretativo da estabilidade de vertentes em granitos (A) e metassedimentos (B)

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