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Apresentação
Zonas Piloto
Metodologia

O conjunto dos estudos a desenvolver no âmbito do projecto, incidiram sobre duas áreas piloto, instaladas nas bacias hidrográficas da Ribeira da Carriça (Baião) e da Ribeira da Meia Légua (Peso da Régua).

As áreas piloto localizam-se no vale do Douro, na área compreendida entre-os-rios Corgo e Tâmega, afluentes da margem direita. Este contexto espacial engloba uma parte significativa do encaixe do Douro nas montanhas do norte de Portugal, que separam o relevo do litoral do planalto transmontano.

As áreas piloto compreendem duas bacias hidrográficas de primeira ordem, utilizando-se parcelas experimentais onde se procederá à monitorização dos elementos relacionados com o processo de circulação hídrica em vertentes organizadas em terraços agrícolas.

Comunicações  
Resultados  

Conclusões

 
Bibliografia  
Parceiros  
Ligações  
Objectivos  
Zonas Piloto
Campos Experimentais

Bacia Hidrográfica da Ribeira da Carriça:

  • Localização – Baião, Quintas de Tormes e de Cedofeita;
  • Área total – 5,4 Km²;
  • Uso do solo – 48% da área da bacia ocupada por culturas diversificadas, 34% com área florestal e 4,3% com vinha;
  • Litologia – granito porfiróide de grão grosseiro, essencialmente biotítico;
  • Formações superficiais – mantos de alteração de espessura superior a 2m;
  • Declives – Declives muito variáveis, predominando as classes de 10º a 20º;
  • Exposições predominantes – Este e Sul.
 

Bacia Hidrográfica da Ribeira da Meia Légua:

  • Localização – Régua, Quinta das Hidrângeas;
  • Área total – 18,31 Km²;
  • Uso do solo – 76,3% da área da bacia corresponde a uso agrícola, dos quais 73,4% são vinha;
  • Litologia – 97% da área da bacia ocupada por metassedimentos (essencialmente por xistos luzentes);
  • Formações superficiais – Depósitos de vertente de características solifluxivas;
  • Declives – Predominam os declives de 14º a 18º;
  • Exposições predominantes – Este e Oeste.
 
Pormenor da Bacia Hidrográfica de Carriça (Baião)

Pormenor da Bacia Hidrográfica de Meia Légua (Peso da Régua)

 
Figura - Modelo Digital de Elevação da Bacia Hidrográfica da Carriça (Baião)
Figura - Modelo Digital de Elevação da Bacia Hidrográfica da Meia Légua (Peso da Régua)

Estado de conservação dos terraços

Na Bacia da Meia Légua, a área de terraços com muros de suporte de pedra em seco apresenta 57,6% dos muros bem conservados. Os muros em mau estado de conservação correspondem a 33,9% e os destruídos a 8,6%. Em Baião, não existem casos de áreas de terraços completamente destruídos, registam-se apenas situações de terraços agrícolas bem conservados (55%) e mal conservados (45%).

Figura - Estado de conservação dos terraços agrícolas com muro de suporte na Bacia Hidrográfica da Carriça (Baião) com relevo sombreado

Figura - Estado de conservação dos terraços com muro de suporte na Bacia Hidrográfica da Meia Légua (Peso da Régua), com relevo sombreado

Ocupação do solo

Na zona piloto de Baião, as diferenças morfológicas condicionam a ocupação do solo e a sua valorização social. Acima dos 400 metros dominam solos pouco espessos, onde persiste a policultura tradicional associada à pastorícia de pequena escala.

 
 
         

Policultura na Zona Piloto de Baião

Monocultura na Zona Piloto de Peso da Régua

     

Na secção média os solos férteis dão lugar a formas de ocupação mais intensas, onde se instalaram quintas vitivinícolas de tipologia empresarial que apostaram nos vinhos verdes especializados. Estas explorações são, aliás, exemplos típicos de um aproveitamento moderno e multifuncional que conjugam a cultura e produção de vinhos com a sua comercialização e o agroturismo. Refere-se o exemplo da Fundação Eça de Queirós, localizada em Santa Cruz do Douro, que investiu no vinho verde “Tormes” de elevada qualidade.

Nas vertentes umbrias, em locais com declives fortes e de afloramentos graníticos, situadas a maiores altitudes, dominam as espécies florestais, ou as culturas arbustivas e herbáceas.

Os terraços agrícolas permitiram o aproveitamento dos solos em áreas com maiores declives, num espaço onde a sobrevivência dos agregados familiares decorria do rendimento oriundo do pequeno património fundiário, associado às jornas efectuadas nas quintas. Dada a baixa produtividade do sector agrícola tradicional, de cariz familiar, apoiado numa estrutura fundiária deficiente, colocam-se grandes problemas na continuidade dos elementos patrimoniais, dado o desapego dos mais jovens por esta actividade cada vez mais desvalorizada socialmente.

A zona piloto da Régua, localizada no Alto Douro, em pleno Baixo Corgo, sub-região mais ocidental da Região Demarcada do Douro, possui uma história marcada pelo sector vitivinícola empresarial de forte vertente exportadora, que motivaram a transformação radical deste espaço numa paisagem de terraços agrícolas produtivos.

O seu enquadramento e características técnicas evoluíram ao longo dos tempos, na sequência de crises profundas e da necessidade de adoptar técnicas de armação do terreno que permitem uma maior taxa de mecanização das explorações agrícolas para aumentar a produtividade e superar a falta de mão-de-obra.

Figura - Ocupação do solo na Bacia Hidrográfica da Carriça (Baião)

Figura - Ocupação do Solo da Bacia Hidrográfica da Meia Légua (Peso da Régua)

Sistemas de armação de terreno nas Zonas Piloto

Como esta é uma área dinâmica sob o ponto de vista da introdução de novas formas de armação do terreno, efectuou-se um levantamento de campo dos principais sistemas de armação do terreno existentes actualmente na bacia hidrográfica da Meia Légua.

     
           

Plantio de uma vinha nova

Construção de taludes em terra

     
   

Constatou-se que 46 % da área da bacia hidrográfica não tem sistemas de armação do terreno. Os terraços com muro de suporte correspondem a 27% e os taludes em terra a 23% da área da bacia hidrográfica. O sistema da vinha ao alto tem uma reduzida representatividade (4%).

Estes dados são preocupantes, uma vez que a área de taludes em terra está em permanente evolução, conquistando o espaço ocupado com muros de suporte.

Na área sem armação de terreno e com vinha, cerca de 75% está instalada em áreas com declives inferiores a 25º. No que diz respeito à área de taludes, 20% encontra-se em áreas com declives superiores a 35º, que aumenta consideravelmente o risco de erosão hídrica dos solos e em caso de movimento de vertentes, corresponde a áreas de maior susceptibilidade.

Na bacia hidrográfica da Carriça, a paisagem de terraços demonstra uma realidade pouco dinâmica, uma vez que desde os anos 70 não se têm criado novos espaços de terraços e são raros os exemplos de introdução de novas formas de armação do terreno. O principal sistema de armação de terreno é semelhante ao da pós-filoxera encontrado na área Alto Douro Vinhateiro, em que a largura dos patamares varia em função do declive. Apenas se encontram alguns taludes em terra numa exploração agrícola que produz vinho verde.

Apesar destas zonas piloto estarem próximas, retratam distintos enquadramentos geomorfológicos, hidrológicos, litológicos que condicionam a disponibilidade de água no solo e consequentemente o tipo de produções agrícolas e uso do solo.

Figura - Sistemas de armação do terreno na Bacia Hidrográfica da Meia Légua (Peso da Régua)

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