CULTURA ESCOLAR, MIGRAÇÕES E CIDADANIA 

     Do Norte de Portugal e do Porto, em particular, partiram a maior parte dos emigrantes portugueses que nos séculos XVIII e XIX se fixaram o Brasil, estreitaram relações comerciais e criaram contactos vivos entre os dois lados do Atlântico. Para o Porto e Norte Litoral regressaram alguns dos que enriqueceram no Brasil e quiseram usufruir o repouso da velhice na terra natal. A esses “brasileiros” se deve um certo ressurgimento agrícola, comercial, financeiro e educativo, que animou o Porto e se encontra ainda visível na paisagem, citadina ou rural. 
     Verdadeiros portadores de culturas, estes migrantes transportaram, para além da língua, ideias, esperanças, hábitos e concepções educativas, que enriqueceram com hibridações em ambos os países. Experimentaram nas suas vidas a importância da cultura escrita, quer pela necessidade de escrever uma simples carta de saudade, quer para a vida comercial a que muitos se dedicaram. Por isso, consagrar as migrações no VII Congresso Luso-Brasileiro, que se realiza no Porto, é também uma forma de prestar homenagem a esses obreiros anónimos da nossa História comum. É ainda reflectir sobre um tema muito presente na actualidade, em que o volume das migrações, internas ou entre países, aparece aos olhos de muitos com um factor de desequilíbrio ou mesmo de ameaça às sociedades mais desenvolvidas. Ao mesmo tempo as migrações interrogam o direito de cidadania e o papel da educação no processo de inclusão dos migrantes e de minorias étnicas ou sociais. 
     Educação, migrações e cidadania parece assim sintetizar a cor local com o nosso desejo de estreitar laços de cooperação, cada vez mais profundos, ao nível da compreensão das nossas heranças educativas. Os eixos temáticos propostos, de âmbito necessariamente abrangente, procuram dar conta deste contacto de tradições culturais, interrogando-as a partir do campo educativo e sob diversos ângulos.

 


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